A agricultura da não violência

por Ana Maria Primavesi*

A cientista Ana Maria Primavesi analisa as condições de desenvolvimento das raízes das plantas

A agricultura em si já é uma violência às estruturas e aos processos da natureza e seus serviços ecossistêmicos vitais para a vida superior e a produção. A agricultura atual modificou radicalmente os ecossistemas, implantando sistemas mecanicistas, não naturais, com visão de curtíssimo prazo a favor de lucros momentâneos que destroem o solo, os cursos d’água, o clima e o futuro da humanidade.

Porém, existe outro tipo de agricultura, que trabalha com os ecossistemas, embora simplificados, respeitando a natureza, conservando os solos, os cursos de água, a paisagem (protegendo-a da livre passagem dos ventos) e o clima, conseguindo com isso uma produção ecológica e economicamente melhor e sustentável.

A base de toda a vida e de toda produção vegetal em nosso globo é o solo. Um solo sadio mantém as plantas sadias e plantas sadias fornecem uma alimentação sadia, que mantém os seres humanos física e mentalmente sadios. E pessoas sadias, com um espírito sadio, não destroem sua base vital e o ambiente onde vivem,, mas o conservam. Não somente cuidam de seus solos e do meio ambiente, mas também de seus próximos, criando bem-estar e paz.

Mokiti Okada prediz que este milênio será de paz, saúde e bem-estar. E tudo começa com um solo puro (sem venenos), vivo, sadio e produtivo para possibilitar homens com espírito sadio. Não são obras faraônicas que nos garantem um futuro radiante. Elas somente tentam encobrir todos os absurdos, erros e destruições que tornam as previsões sinistras. As atitudes que nos garantem um futuro radiante são o respeito ao solo, à natureza, ao meio ambiente e ao próximo, enfim, o respeito à obra de Deus.

O errado é que não se considera a natureza como um todo, um sistema em que todos os fatores dependem uns dos outros e qualquer coisa que está sendo feita influencia todo o sistema. Na natureza também não existe lixo. Tudo é reutilizado ou reciclado sempre, até virar energia de novo — água e gás carbônico.

Entretanto, hoje desconhecem-se, propositalmente, as interligações. Dizem que a queimada não prejudica o solo. Isto é correto. A queimada não prejudica o solo diretamente, mas ela elimina o alimento das bactérias e fungos do solo que deveriam torná-lo macio, poroso e permeável para a água e o ar. Ela prejudica as forrageiras melhores e somente deixa sobreviver as que podem defender seu ponto vegetativo contra o fogo.

Dizem que os herbicidas que mantêm os solos limpos de plantas nativas seriam destruídos por bactérias e fungos. Mas não o são e continuam intactos nos solos porque, sem matéria orgânica, os fungos e bactérias, que deveriam decompor aquela matéria orgânica, morrem ou “esperam” por condições melhores. É quando, finalmente, prejudicam as raízes e as culturas.

Pretende-se afrouxar os solos compactados e duros com arados, enxadas rotativas pesadas e subsoladores. Eles são rompidos, e até pulverizados, mas nenhuma máquina consegue agregá-los a formar poros novamente. Este é um processo biológico. E, por isso, logo em seguida, solos pulverizados compactam-se outra vez.

As plantas atacadas por insetos, fungos ou bactérias podem ser mantidas limpas por meio de defensivos químicos, dos agrotóxicos ou também por caldas, como a sulfocálcica, a bordalesa, o Bokashi ou outros menos tóxicos, como também pelos “inimigos naturais”. As plantas ficam sem parasitas, mas continuam doentes.

(Texto original publicado no facebook da autora: https://www.facebook.com/anamariaprimavesi/posts/3623752094326555)

__________________________________________________________________ Ana Maria Primavesi publicou vários títulos pela Editora Expressão Popular. Para saber mais, entre no link https://expressaopopular.com.br/loja/?s=Ana+Maria+Primavesi&post_type=product

Ouçam mais da própria Primavesi em:

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