Testemunhos da Utopia

Dom Paulo Evaristo Arns agradece a homenagem aos seus 95 anos em ato no Tuca, São Paulo. Foto de Rafael Stedile.

A luta de Dom Paulo Evaristo Arns contra a violência do Estado durante o regime ditatorial brasileiro (1964–1985) se deu num caminho aberto pelas lutas populares e com a Igreja comprometida com o clamor popular. Ele ouvia as opiniões, acatava as decisões, seguia na direção indicada pelas CEBs.

A teologia da libertação foi uma dessas searas pelas quais Dom Paulo Evaristo Arns passou a caminhar. Ali estava a utopia da igualdade e da fraternidade. Com essa visão humanista, esse caminho se tornou amplo e seguro. A utopia alimentou a esperança e a perseverança necessária para a resistência à ditadura civil e militar.

Destruída com o trator do neoliberalismo, o caminho da utopia se estreitou, mas não deixou de existir. Por isso, quando perdemos Dom Paulo, imediatamente nos lembramos de defensores dos direitos humanos como Dom Tomás Balduíno que faleceu em 2014. Eles sabiam que “uma voz solitária não suspende a manhã” (Pedro Tierra).

Nesse terrível momento em que a elite golpeia o povo brasileiro com mais um golpe ditatorial, é preciso conhecer a história de homens que como Dom Paulo Evaristo Arns, alimentado pela utopia da teologia da libertação, fez ouvir o clamor do povo contra a opressão.

Em homenagem ao “amigo do povo” e “cardeal da esperança”, trazemos o testemunho da utopia do Papa Francisco, “Digamos sem medo: queremos uma mudança real das estruturas”, apresentado durante o II Encontro dos Movimentos Populares da Bolívia:

Papa Francisco durante o II Encontro dos Movimentos Populares da Bolívia em julho de 2015.

“Em primeiro lugar, comecemos por reconhecer que precisamos de uma mudança. Quero esclarecer, para que não haja mal-entendidos, que falo dos problemas comuns de todos os latino-americanos e, em geral, de toda a humanidade. Problemas que têm uma matriz global e que atualmente nenhum Estado pode resolver por si mesmo. Feito este esclarecimento, proponho que nos coloquemos estas perguntas:

  • reconhecemos nós que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos trabalhadores sem direitos e tantas pessoas feridas na sua dignidade?
  • reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros?
  • reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante?
João Pedro Stedile (MST/Brasil), e representantes dos movimentos populares durante o encontro com o Papa Francisco.

Então, se reconhecemos isto, digamo-lo sem medo: precisamos e queremos uma mudança”.

Para ler o discurso completo do Papa Francisco, leia o livro “Testemunhos da Utopia”. Entre no link https://expressaopopular.com.br/loja/produto/testemunhos-da-utopia/

Testemunhos da Utopia: Pepe Mujica, Papa Francisco, Hugo Chávez e Angela Davis
Show your support

Clapping shows how much you appreciated Expressão Popular’s story.