Navegar é preciso

Começamos na beira da praia, no fim da empolgação, feito ressaca, uma das coisas mais tristes, o começo e o fim.

Aquilo que vem sutilmente e quando notamos lá se foi todo aquele brilho, que não se apagou mas não é mais chama. E sem chama, nada esquenta. E sem calor, murchamos feito planta escondida no canto da casa. Sem água, sem luz, sem vida. Enfeite qualquer.

As coisas tem tanto potencial, mas muitas vezes são desperdiçados por uma bobagem qualquer ou até mesmo por nada. Porque o nada às vezes é muito.

Silêncio e rasidão.

Disso nós entendemos. As pessoas nem se dão ao trabalho de conhecer direito algo e já tiram conclusões precipitadas olhando para a capa do livro, deixando ele na prateleira e partindo para outra estante.

O mistério se vai. Os dias se passam. As conversas terminam. As paisagens mudam. E já não somos os mesmos. E já não queremos mais o mesmo. E já não vemos da mesma forma. E já não existe nada que se possa fazer, exceto partir.

Eu até entendo esse buscar incansável pelo novo, mas o desvalorizar do bom copo de café quentinho que aquece o nosso peito todas as manhãs. Esse eu não aprecio, esse eu dispenso.

O mundo tem mais a nos oferecer.

O mergulho.

Primeiro a gente precisa se sentir em casa, colocar o pé na mesa e não ter medo de ser feliz. Depois a gente dá um jeito.

São poucas coisas na vida que realmente nos fazem sentir que pertencemos. Aquele pote de sorvete, aquela pausa para risadas, olhar as estrelas, sentir que se faz algo útil no mundo, abraçar alguém que se gosta.

No fim das contas, nada nos pertence e tudo nos preenche feito o mar e suas ondas. Somos eternos navegantes e nosso único porto seguro somos nós mesmos.