Imersão

Na profundidade do autoconhecimento

Estaria eu submersa nos meus sentimentos?

Permiti-me explorar o mais profundo do meu íntimo que agora me encontro aprisionada?

Questiono-me se de fato tenho forças para encarar aquilo que com as braçadas vou de encontro…a realidade que pelos devaneios é abafada.

No momento a percepção que eu tenho é que não quero acordar pra vida, pois volta e meia a minha visão fica embaçada.

Seria essa sonolência um desejo de fuga da sociedade?

Pois quanto mais eu mergulho, mais distante eu fico do mundo.

Eu coço os olhos na tentativa de despertar, mas quanto mais o faço, mais dói.

E essa dor me faz acreditar que ela é necessária para que as feridas sejam curadas. Só que mesmo forçando, tentando, eu não sinto que elas querem sair de mim.

Quanto mais conheço as minhas falhas, mais eu me sinto insegura. E quanto mais fico insegura, mais longe de mim e de todos eu quero ficar.

Como nunca me aconteceu antes, sinto um medo de falar em público. E os olhares que para mim se direcionam parecem somente me julgar.

Estariam todos me analisando? Ou a culpada sou eu por não me amar?

Me direciono a todos com compaixão, mas não vejo esse retorno. Será que há uma cegueira impedindo que eu veja com clareza o que tem acontecido? Ou de fato não há nada de bom pra ser visto?

Escrevo na tentativa de trazer calmaria nessas águas e força nas minhas braçadas. Pois nadar no profundo dos meus sentimentos só me trouxe solidão. E apesar de apreciar o vazio e sorrir com a minha própria presença, por um instante o silêncio me lembra que há uma ausência.

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