46 — De quem é essa calçada

Afinal a calçada é pública ou privada?

Todos que me acompanham sabem do meu interesse por economia e mais ainda sobre o que é público e o que é privado. Queria levar isto para o campo da prática, em especial quero tratar a questão das calçadas. Elementos que circundam as casas e que ficam no limite entre o público (a rua) e o privado (a casa).

Assim como não sabemos onde termina a via láctea e começa o meio interestelar ou onde termina Recife e começa Olinda, ou onde termina a infância e começa a puberdade, a calçada também é um terreno sombrio onde as pessoas não sabem onde começa o público e termina o privado.

A calçada é sim pública por diversos motivos. Um dos motivos que relaciono é porque não há restrição entre quem pode ou não pode atravessá-la, salvo algumas exceções que a imagem acima já nos dá uma dica.

Pode-se analisar a calçada como sendo uma extensão da rua, não da casa, como muitos entes públicos insistem em disseminar.

O poder público quer que você se responsabilize pela calçada mas não lhe dá propriedade quanto ao seu uso. Ora a calçada não é minha, de outra forma eu restringiria seu acesso, diria o outro.

Ah então a calçada é minha? Então eu quero vender uma parte por um centavo. Posso? diria o segundo.

É inegável que a calçada é pública mas os governos não tem a mínima condição de cuidar delas. Duas coisas me dizem onde estou ao acordar os olhos de manhã cedo. Se olho para a rua e vejo um emaranhado de fios sobre minhas cabeças, se vejo calçadas mal tratadas e impossibilidade de trafegar a pé por elas. Realmente estou no Brasil e não no primeiro mundo.

Só há um jeito de melhorar esta situação. É o poder público criar incentivos para a correção das calçadas como isenção de IPTU por 2 anos. Quem não quer o entorno de sua rua bem tratado, isto valoriza seu bem e o livra de doenças e animais indesejados.

Então eu proponho um pacto. Assim como não sabemos quem manda em uma casa, se o homem ou a mulher que tal resolvermos assim como se resolve em quase todas as casas. As partes interessadas compartilham seus interesses e decidem juntos. Vamos pagar esta conta de forma compartilhada. O governo diminui sua ânsia por impostos e de quebra vê suas calçadas da maneira que nunca sonhou antes.

Eu venho caminhando a pé a algum tempo desde que mudei de cidade. Gosto de caminhadas e minha forma física me impele a fazê-las. Fugi de torcer meu tornozelo por inúmeras vezes, arrisquei-me a andar pelo asfalto e a morrer por outras vezes. Não é legal termos uma das calçadas mais deploráveis do mundo. O brasileiro não merece tanta mediocridade.

Lugar de carro é no asfalto, de ciclista na ciclovia e de pedestre é na calçada.

Esta é a opinião de um pedestre que sabe distinguir o que é bom do que é ruim e do que é feio.
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