Devemos sempre escolher um lado numa eleição?

Ezequiel Luztosa
Sep 1, 2018 · 3 min read

Na política é muito comum haver uma bipolarização: Direita x Esquerda; Capitalistas x Comunistas; Religiosos e Ateus etc. Assim sempre somos coagidos a decidir entre duas caixinhas pré-determinadas por “forças ocultas”. Isso não pode ser diferente nas eleições: Sempre aparecem dois candidatos com a narrativa que são os únicos que podem evitar o mal maior e “curiosamente” um acusa o outro de ser a encarnação dessa terrível tragédia eminente.

O problema dessa dicotomia é que normalmente os dois lados estão errados. Por exemplo, recentemente muitos caíram na mentira que o único que poderia parar o PT, especialmente no quesito corrupção, seria Aécio que mais tarde foi comprovado ser corrupto também; e outros caíram no conto que a Dilma não cortaria verbas para políticas sociais. No final das contas ambos enganaram seus eleitores/apoiadores e provaram que nenhum era de fato melhor que outro.

Evidentemente não vivemos no paraíso onde sempre escolhas são fáceis e tem posições ideais. Entretanto existe uma total diferença entre ser pragmático e se vender completamente para qualquer aventura política.

A principal diferença entre eles é manter Principios e Valores. Todo Homem deve ter em mente quais são seus critérios inegociáveis e ser guiado por eles, inclusive limitar até onde é aceitável condescender. Caso contrário, será como uma folha levada pelos ventos. Assim, não devemos ser puristas na política, esperando que só alguém perfeito para apoiar/votar. Mas devemos delimitar com clareza, para nós mesmos, quais devem ser nossos limites e objetivos.

Todavia chegam momentos em que não existem nenhum lado “viável” que esteja de acordo com seus principios, ultrapassando seus limites. O que fazer nesse caso? Devemos fazer como muitos durante a Segunda Guerra que apoiaram o Nazismo para fazer frente o Comunismo e vice-versa?

Nesse caso nossa saída é seguir o discurso do Capitão América na saga Guerra Civil:

Não importa o que a imprensa diga. Não importa o que o os políticos ou as multidões digam. Não importa se o país inteiro disser que uma coisa errada está correta. Repúblicas são fundadas em um princípio acima de todos: A exigência de que nós temos que defender aquilo em que acreditamos, não importa quais sejam as consequências.Quando o povo, a imprensa ou o mundo inteiro disser para que você saia de onde está, o seu dever é se plantar como uma árvore à beira do rio da verdade e dizer para o mundo inteiro: Não. Saiam vocês.

Ou seja: Devemos nos manter fiéis aos nossos princípios e assumir que estamos contra todos, não importa o preço disso. Isso não implica cruzar os braços e desistir de tudo. Pelo contrário, implica em seguir pelo caminho muito mais duro: Ficar contra tudo e todos e mudar o contexto que gerou isso.

Por exemplo, nessas eleições muitos concordam que praticamente só temos candidatos péssimos para todas as posições, especialmente Executivo. Alguém fiel aos seus princípios não deve se cegar para isso e nem capitular diante disso, mas sim se perguntar: Porque só temos candidatos ruins? O que podemos fazer para evitar que isso ocorra novamente?

Se todos sempre preferissem apenas apoiar o suposto “menos pior”, ainda estaríamos escolhendo entre o “menos pior” tirano. Assim, respondendo a pergunta do título, minha resposta seria:

Sim, mas sempre o lado da Verdade, mesmo que esteja contra todos os candidatos/partidos.

Ezequiel Luztosa

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Um pobre diabo em busca de autoconhecimento. Amante da Biologia, História e Política

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