Os clichês ainda são necessários

A presença constante do boxe na tela grande


Redigido em 03/11/2011

Seja pelo posicionamento dos lutadores digladiando sobre o ringue ou pela enorme quantidade de metáforas possíveis para empregar, o boxe é um assunto recorrente no cinema. Exatamente por esse motivo a indústria aposta no gênero de tempos em tempos. A última grande investida, “Real Steel” (Gigantes de Aço - 2011), abusa dos clichês. E acerta ao fazê-lo.

Desde o ex-boxeador obstinado interpretado por Hugh Jackman até o filho abandonado que descobre ter admiração pelo pai, interpretado pelo iniciante Dakota Goyo, todos os elementos da película misturam o enlace emocional dos personagens, o ritmo visceral do boxe profissional e a fascinação causada no espectador pelo sci-fi bem realizado. Foi comum ver espectadores imitando os robôs lutadores na saída das sessões.

Entretanto, o “lugar comum” nos últimos tempos passou a ser repugnado pelo público e considerado blasé pela crítica. A criatividade assumiu o papel de graal cinematográfico.

Os mesmos críticos que cravam um bom roteiro com observações certeiras são os mesmos que colocam filmes como “Raging Bull” (Touro Indomável - 1980) e “Rocky” (Rocky, um lutador – 1976) em suas listas de filmes clássicos.

É necessário ver além da alegoria que o clichê representa, afinal, o roteiro de “Rocky” escrito em três dias por Sylvester Stallone teve um propósito diferente do roteiro de John Gatins em “Real Steel”. Os clichês ainda são necessários quando o interesse é entreter as pessoas. Principal visão dos irmãos Lumière e de todo cineasta que se preze.

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