Ela dorme e eu escrevo.

Já perdi a conta de quantas madrugadas perdi pensando no vazio que a ausência do sorriso dela me trás. Porque eu nunca conheci alguém, com um sorriso tão encantador em toda a minha vida, é aquela tipo de sorriso que demora pra aparecer, que piadas mal feitas não conseguem arrancar com vigor, mas olha… que surpresa a minha ver esse sorriso depois de um sorriso meu, trás aquele arrepio na espinha que me faz desejar poder tê-la pra sempre em minha vida. Que medo o para sempre me trás.

Me trás medo porque hoje, mais uma vez ela dorme e eu escrevo sobre ela, hoje foi sobre o sorriso dela, ontem sobre o vazio na minha cama e antes de ontem sobre suas mãos que eu queria poder manter mais tempo sobre as minhas.

Medo porque ela odeia meus medos bobos, mas queria que ela entendesse que perdê-la não é mais um desses bobos, é um daquelas monstros que se escondem embaixo da cama, e que você sente de tempos em tempos puxando o seu pé no meio da madrugada, em madrugadas como essa, que o frio gela o lado direito da cama, aquele que não sei como se tornou dela. Madrugadas em que o cigarro é a minha única companhia, mas para não ficar tão sozinha acompanho-o com uma cerveja, cerveja essa que ela odeia o gosto, cigarro este que ela odeia o cheiro. E eu sinto falta, falta de dela reclamando do cheiro adocicado impregnado em suas roupas ou da sua insistência em não me beijar depois de me ver fumar, mas mesmo assim me beija.

Medo porque eu a amo tanto que sinto que se lesse algo que eu rascunho sobre ela em meio as madrugadas ela fosse capaz de fugir.

Medo porque apesar de saber que ela odeia rotina, eu quero com todas as minhas forças que ela se torna uma rotina pra mim.