Crítico, eu?

Poucas coisas na vida são tão prazerosas quanto despejar frustrações num pedaço de papel. Eis, que aqui estou, para vos falar do quão é “sofridamente feliz” a vida de uma pessoa crítica.

Acredito que todos seres dotados de intelecto possuem algum nível de criticidade, porém algumas pessoas se exacerbam nesse aspecto, como este que vos fala. Espero que entendam que isso não é meramente uma questão de escolha. Você é, e pronto. O que pode fazer é tentar mediar a intensidade com que isso se faz presente na sua vida. E sobre as nuances da vida desses seres, pretendo discorrer.

É sofrível e feliz:

  • Demorar tanto pra escolher um filme, sem falar que isso só pode ser feito depois de analisar a crítica de pelo menos dois sites confiáveis, e tendo conhecimento dos atores e diretores, a partir disso, pode-se então, seguir em frente e desfrutar do filme, ou não.
  • Ser tão criterioso com as pessoas com que anda, que se relaciona, que é amigo, ou que escolhe, simplesmente, pra bater um papo.
  • Ter uma opinião com alguma fundamentação sobre uma boa parcela de coisas na vida, em especial, os assuntos mais polêmicos. E isso o leva a adorar debates de botequim e ser exímio em defender seu ponto de vista, mesmo que isso cause uma indisposição entre as partes.
  • Ler um livro até fim, sem julgar desde o princípio, e terminar sem categorizar aquele exposto na sua biblioteca mental, em algo, entre: medíocre e genial.
  • Ter dificuldade em gostar daquilo que é trend e que todos gostam, foi “mainstream” demais, certamente é desinteressante.
  • E aquelas bandas indies, que só você conhece e gosta?
  • Ser tido como chato, pretensioso e por vezes, arrogante, por muitas pessoas que não se dão o trabalho de lhe conhecer.

Como afago, para aqueles que se identificam em alguma, ou em todas, as situações acima. Li, em um ou dois artigos, que cientistas traçam um elo de proporcionalidade entre senso crítico e inteligência.

Será que é possível odiar algo em si mesmo, com a mesma intensidade em que se ama?

Com certeza, é paradoxal, assim como tudo que é de mais belo na vida.

Em síntese, ser crítico é sofrível, dói e faz mal, às vezes. Mas ser crítico, é feliz, bom e faz bem, às vezes. Por isso, é sempre tão intrigante e instigante pensar criticamente sobre ser crítico.

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