Foto: Facebook da oficina

O pulso pulsa

Fabiana Toyama
Aug 25, 2017 · 3 min read

Semana passada fui em uma oficina de Corpo e Música, oferecido pela querida Helena. Lembrando dela agora, me veio um pensamento: tem gente que toca instrumentos, Helena foi a primeira pessoa que me fez compreender o pensamento ‘nossa, o ser humano É um instrumento musical’. Eu já acho incrível quem faz música de uma caixinha de fósforo.

Até então, meu único contato com algo parecido tinha sido ver Bobby McFerrin na TV Globo, na minha infância.

Mas enfim, eu estava enrolando há um tempão para fazer essa oficina. Não tenho a menor musicalidade, tenho a coordenação motora de um bêbado com sono, não gosto muito de interagir com desconhecidos (e menos ainda com alguns conhecidos), sou uma introvertida em letras maiúsculas e garrafais. Quando falei isso para Helena há alguns meses atrás, ela só me respondeu “mas você tem um corpo!”, a que eu devo ter respondido com alguma careta incrédula.

Mas o Universo é sábio, e quando você não ouve o chamado sutil, ele transforma fichas em tampas de bueiro e joga na sua cabeça, lá do espaço sideral, como Laerte tão bem ilustrou. Fichas caíram. Feedbacks foram ouvidos. E, para pessoas mentais como eu, é importante lembrar que estamos num corpo físico que não serve só para ser a parte matéria da alma e se perder em todas as variações dos prazeres do comer e beber.

Mas enfim, depois de ser pacientemente acolhida por Helena nos meus ‘vou’s e ‘não-vou’s, fui. Daí…

Bom, primeiro tem o lugar. Foi na Casa de Pulsara, que eu ainda não conhecia e adorei por ser… uma casa. Com um espaço super gostoso e bem iluminado para trabalho em grupos. Segundo, tinha lanche feito pela Nayara, que eu já conhecia e gosto.

Daí, estávamos em uns 15 (?) adultos e uma criança linda, com histórias e experiências musicais completamente diferentes. Helena cria um campo de acolhimento e pura experimentação aonde cabem todos e cabe tudo. Lembrando que tudo não é igual a qualquer coisa, tem cuidado e a liberdade que só quem conhece muito a técnica consegue ter de verdade.

Eu experimentei e brinquei. Mesmo nas horas que meu corpo não acompanhava… bom, absolutamente nada, nem o ritmo, nem minha mente, nem o que estava acontecendo ao meu redor, isso não importou, porque eu estava lá com a maior inteireza e coordenação (ou falta de) que eu tinha, e era isso que importava. Para mim, essa foi a mágica da Helena.

Com isso, pelo lado da dinâmica que se deu lá, é impressionante ver como um grupo de desconhecidos faz música juntos. Cada um no seu jeito, no seu tom, com seus “erros” e “acertos”, quando o campo de confiança se cria, a criatividade acontece dentro dele, com quem estiver nele, com as ferramentas disponíveis. Lá, não usamos nada além do nosso corpo mesmo.

E sim, nesse momento é bom alguém puxando, colocando ritmo, sugerindo, consertando (eu ia morrer sem ar, sem perceber, se Helena não tivesse me lembrado de respirar em um determinado momento). Tem a arte de saber quando, e até aonde deixar o grupo ir sozinho, e quando pegar na mão de novo, e eu amei ver isso em uma linguagem completamente diferente do meu dia a dia.

É a diferença de saber que existe e ouvir falar de vivenciar a coisa. E fazer as relações com a prática de um lugar de experiência, e não de teoria. É vivo, pulsa. E faz toda a diferença.

Bom, isso tudo em uma atividade de menos de 2 horas. Imagina isso ao longo de um tempo, com frequencia.

Finalmente, me fez perceber também que nesta nuvem que me conecta à Helena, estou cercada de artistas. Além dela própria e da Nayara, Ivy dança. Tati canta. Qualquer rabisco distraído do Bruno está pronto para ser enquadrado. Se você der um clip para a Ciça, vai virar algo bonito. E por aí vai. Besta sou eu de ter demorado pra desfrutar de tudo isso de forma mais consciente e com mais ritmo, de experimentar e fazer outras conexões de outros lugares, com outras linguagense e visões e, com isso, ser uma pessoa melhor.

Mas, como dizia o sábio poeta de algum lugar, ou o iluminado guru xyz, ou a internet… antes tarde do que mais tarde!

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Honrando o que me inspira a escrever, sem pretensão nem muita revisão. Em liberdade. Textos vivos. Não sei usar vírgulas.

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