
Desmistificando a Maternidade
Culpa materna
A maneira de exercer a maternidade tem se tornado cada dia mais idealizada, e em contrapartida, aumentam as atribuições na vida das mulheres no que se refere à assunção de novos papéis sociais exigidos pela cultura moderna.
A mãe moderna carrega consigo um sentimento constante, quase que obrigatório: a culpa.
No ciclo vital da mulher há três períodos críticos: a adolescência, a gravidez e o climatério, são períodos de transição que constituem fases do desenvolvimento da personalidade e que possuem vários pontos em comum. São fases biologicamente determinadas, caracterizadas por mudanças metabólicas e hormonais complexas; por reajustamentos interpessoais e intrapsíquicos, mas também por alterações interpessoais e interpsíquicas. Tantas mudanças podem resultar em estados temporários de desequilíbrio, e em significativas alterações na identidade da mulher devido às grandes expectativas quanto ao papel social esperado.
Entendemos que desde a infância as meninas treinam o papel de boa mãe, segundo o qual a mulher deve ser capaz de enormes sacrifícios, entre eles ser amável, tranquila, compreensiva, terna, equilibrada, acolhedora, feminina em tempo integral! Espera-se um ideal, um modelo de mãe perfeita, uma imagem romanceada da maternidade construída ao longo dos últimos séculos, que está alicerçada sob um rígido padrão incapaz de admitir qualquer vestígio de sentimentos ambivalentes nas mães. Acontece, porém, que na ocasião do nascimento de um filho, a maioria das mulheres experimentam sentimentos contraditórios e inconciliáveis com a imagem idealizada de maternidade ditada pela cultura. Desta forma, estabelece-se um conflito entre o ideal e o vivido e instaura-se um sofrimento psíquico que pode se configurar como uma base para a depressão após o parto.
A ambivalência materna é a experiência compartilhada de forma geral por todas as mães, na qual coexistem lado a lado, em relação ao filho, sentimentos de amor e de ódio. A dificuldade em enfrentar tais sentimentos tão complexos e contraditórios próprios da ambivalência materna pode redundar em uma eterna culpa, que implica em muito sofrimento, mas com a qual as mães se habituam a viver. Atualmente, culpa e maternidade são quase sinônimos.
O manejo da ambivalência afetiva em suas várias manifestações deve ser trabalhado com a finalidade principal de aliviar os sentimentos de culpa e a crença na própria maldade interna e na própria capacidade de destruição.
As mães estão habituadas a uma cultura que proíbe a discussão plena da ambivalência materna, da coexistência de sentimentos ambivalentes natural em todas as mães.
É preciso evitar encorajar apenas a expressão dos sentimentos positivos, o que criaria uma imagem muito incompleta da totalidade das vivências maternas, ao contrário, deve-se estimular também a expressão dos sentimentos negativos, de hostilidade e rejeição, das ansiedades, temores e dúvidas a fim de que, através da elaboração, faça-se emergir mais plenamente os sentimentos de amor e ternura e, sobretudo, ajude a entender as dimensões polivalentes que compõem cada relação humana. Essa elaboração torna possível tornar a maternagem menos angustiante
Culpa de que? Por quê?
Ø Pelo que fazemos, pelo que não fazemos;
Ø Por não atender as expectativas que criamos;
Ø Por não atender as expectativas do outro;
Ø Situações que ninguém tem culpa;
Ø E até culpa por não sentir culpa.
De onde vem a culpa?
Da idealização da maternidade.
Atualmente a maternidade é vista como um estado completamente romanceado.
A maternidade, e todas as relações humanas são feitas de ambivalência.
Porém, esses sentimentos ambivalentes em relação a maternidade são um tabu, onde ninguém fala, nem sabe que existe.
É uma questão sociocultural. A sociedade exige padrões rigorosos e culpaliza a ação dos pais, mais especificamente, da mãe.
Soma-se a isso os ideais de conduta e comportamento:
Ideais de parto, amamentação, conduta, alimentação, brincar, etc…
A questão do parto humanizado entra nesse item.
Existe uma idealização muito grande e romantizada nesse momento.
Na teoria tudo funciona. Tudo é lindo. Mas existem riscos. É necessário olhar esse outro lado. E viabilizar o tipo de parto possível e escolhido pelo casal.
Existem 3 etapas que um bebe pode adoecer:
§ Durante a gestação.
§ Durante o parto.
§ Após o nascimento.
Em muitos casos é aconselhável uma Cesária, e isso também está virando um grande problema.
Muitas mulheres sentem-se culpadas por terem feito uma cessaria atualmente. Inclusive sofrem agressões, muitas vezes sutis de grupos militantes do parto dito humanizado.
Essa grande idealização resulta em:
Intensos sentimentos de culpa e inadequação.
O amor materno e paterno é um sentimento construído aos poucos, através da vivencia do dia-a-dia e por isso está sujeito a imperfeições, falhas, oscilações e modicações constantes.
A culpa é um sentimento que, muitas vezes, nos impede de enxergarmos e focarmos no que temos de melhor, nos limitando, e nos torturando.
É um sentimento paralisante. Nos impede de agir, de buscar uma solução para nossos problemas.
Padrão interno extremamente rígido, perfeccionista, repressor e sem perdão, compaixão e compreensão consigo mesmo.
Lado positivo:
Muitas mães têm procurado ajuda e autoconhecimento.
Expectativas irrealistas. E principais conflitos envolvidos na gestação de um filho.
Pré-natal:
Hipersensibilidade da gestante. A mulher está numa condição mais frágil nesse momento.
Como homem e mulher lidam com esse neném que está na barriga.
Quais são as idealizações nesse momento.
Pós-parto:
Essa fase é a mais difícil. A pior! (Por isso recomendo a pensar num grupo de mulheres para o pós-parto.)
“Treino é treino, jogo é jogo”
Na hora do jogo de verdade ocorrem situações que a pessoa não espera.
Sonho da família perfeita.
Quando a mulher decide engravidar existe um sonho de construir a família perfeita.
Quando a mulher está gravida existe, geralmente, uma ideia de tudo que ela irá fazer diferente da mãe dela. O desejo é de superar os pais.
Se a gravida teve uma dificuldade da relação com a mãe, por exemplo, a tendência e querer fazer diferente do que sua mãe fez.
Modelo oposto ou idêntico. Baseado em que?
Reparar a própria história. Ou por falta ou excesso.
Porém, quando vem o bebe, com tudo os cuidados e exigências, privação de sono a realidade se impõe. A mãe fica cansada, percebe em algum nível, que não amamos só o bebe, sentimos raiva e ódio também. A nova mãe ignorava que teria que abrir mão de seu espaço individual por muitos anos e sente-se presa na nova situação.
Ter um filho exige que os pais abdiquem de sua vida quase que integralmente para cuidar daquela criança e isso gera muita frustração.
Os pais cansados e frustrados começam a querer sua vida de volta.
Quando o bebe já está maiorzinho, a mãe começa e se cansar de ficar o dia todo com a criança. O pai por sua vez chega cansado do trabalho e também não quer cuidar do bebe.
Alia-se a nova situação o ciúmes. Ciúmes que sente do filho com outras pessoas. Ciúmes que o marido sente da esposa por ela estar voltado totalmente a criança e ele foi deixado de lado.
Durante a gestação foi sonhado só o bom. E quando nasce o bebe a realidade se impõe.
O filho da fantasia é perfeito! Mama bem, dorme bem desce cedo a noite toda, não e um bebe chorão. A mãe sempre disponível e nunca fica cansada.
A amamentação não ocorre de maneira tão natural e instintiva para a maioria das mulheres.
A mãe fica iludida achando que o melhor leite é o materno. O mais importante e o que importa é que a criança seja alimentada de modo amoroso.
É ótimo amamentar é, mas se não for assim, tudo bem também.
Existe um choque entre esse filho da fantasia e o filho da realidade. A mãe que imaginou que iria ser e mãe possível de ser.
Dessa maneira instaura o conflito, que trazem muitas mães ao consultório. O conflito da idealização x a realidade.
A privação de sono e as alterações hormonais levam os pais a exaustão. Existe de fato, uma questão fisiológica e biológica.
Cansaço extremo nos cuidados com o bebe.
Assim, a idealização de desfaz e o bebe real aparece.
Surge a frustração e a culpa.
Como cada mãe e pai ira lidar com isso depende de vários fatores.
- Revivencias da infância. Cada pessoa teve um modelo familiar diferente na sua vida. O que acontece é que muitas vezes cada um, pai e mãe, querem reproduzir seu modelo na criação do filho.
Essa situação acaba gerando um conflito. Se faz necessário o entendimento que a nova família crie seu novo modelo. Cada família e única. Cada filho é único.
A família nuclear, pai mãe e neném tem que prevalecer sobre as famílias de origem. A nova família tem que passar a ser a família predominante. Existe até uma passagem bíblica que fala sobre isso: a consciência dos familiares de permitirem que os filhos vão embora cuidar das próprias famílias que formaram.
Principais conflitos que surgem nessa fase:
- Rivalidade com a sogra. Muitas vezes, existe a fantasia de dar um filho para a mãe. Por que isso ocorre?
- Imaturidade do casal. Ou de uma das partes.
- Marido é deixado de lado. A mãe dispende seu dias e cuidados com o bebe. Na maioria dos casos, a mãe se apaixona pelo neném. Se o marido não está maduro o suficiente, não sustenta essa nova realidade.
Se o marido é infantil e não aguenta lidar com essa situação pode acabar não suportando continuar casado.
- Existe também uma modificação no comportamento das mulheres além das alterações hormonais. A mulher muda muito. Ficam mais agressiva.
A mulher se queixa muito do marido. Esquece que ela escolheu ter um filho. E ter filhos exige muito do casal.
Filho tem que ser resultado da relação amorosa. De um casal maduro. Ter filho com outra criança é separação na certa.
Aqui existe outro mito. Ter filhos amadurece.
Principais mitos que envolvem a maternidade:
Ø Gravidez é um período de muita alegria para todas as mulheres.
Ø Ter filho amadurece.
Ø Filho une o casal.
Ø A questão de divisão de tarefas 50%- 50%. “O matrimonio deve ser uma sociedade 50% — 50%. ”
Ø Escolha do tipo de parto e amamentação será definitiva e única para desenvolver vínculo com a criança;
DEPRESSAO PÓS-PARTO.
Existe um mito amplamente difundido que a gravidez é um período de muita alegria para todas as mulheres.
Existem 3 distúrbios que são característicos do período puerperal:
Ø Melancolia pós-parto (blues maternity, babu blues)
Ø Depressão pós-parto (DPP)
Ø Psicose puerperal
Outros transtornos pós-partos:
Ø Ansiedade puerperal
Ø Transtorno do pânico pós-parto
O QUE É?
Episódio depressivo não psicótico que é classificado assim sempre que iniciado nos primeiros doze meses após o parto
Incidência no Brasil de até 20% dos casos após o parto, mas este índice aumenta para cerca de 30 a 40% se considerarmos as mulheres com perfil socioeconômico baixo e atendidas no SUS.
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS?
Tristeza muito grande de caráter prolongado,
Ø Com perda de autoestima,
Ø Perda de motivação para a vida, é incapacitante, requerendo na maioria das vezes o uso de antidepressivos.
Ø A mãe sente-se angustiada, insegura, sensível demais, entristecida e chorando desesperadamente?
Ø É sabido que a DPP acontece com mulheres de todas as idades, classes sociais e de todos os níveis escolares.
Ø Ela pode ocorrer com mulheres que desejam muito ter um filho, bem como com aquelas que não aceitam o fato de ter engravidado
Ø Pode ocasionar-se no nascimento do primeiro filho, do segundo, do terceiro, ou de outros
QUAIS SÃO OS FATORES DE RISCO?
Três categorias:
Ø A primeira relaciona-se à qualidade dos relacionamentos interpessoais da mãe, particularmente com seu parceiro;
Ø A segunda refere-se à gravidez e ao parto e à ocorrência de eventos de vida estressantes;
Ø E a terceira relaciona-se às adversidades socioeconômicas.
Portanto, podem ser incluídos como fatores de risco ou fatores predisponentes para DPP:
Ø Ser primípara;
Ø Ser mãe solteira;
Ø Conflitos e falta de apoio conjugal;
Ø Evento de vida estressante, como perda de emprego ou morte de familiar;
Ø Falta de apoio familiar e social;
Ø Histórico pessoal ou familiar de doença psiquiátrica, mas principalmente a existência de episódios depressivos anteriores e durante a gravidez
Ø Complicações obstétricas durante a gravidez ou imediatamente pós-parto; parto traumático; parto múltiplo e prematuro, abortos anteriores, partos de natimorto ou síndrome de morte súbita infantil;
Ø Acrescenta ainda como fator que aumenta o risco de DPP a idealização da maternidade.
Ø Assim, se a mãe apresentou alguma dessas histórias, ela requer mais atenção dos familiares e profissionais de saúde desde a gestação
Ø Acreditamos que a mulher com depressão pós-parto estaria apenas expressando seu choque e desapontamento em não sentir toda a emoção e felicidade, normalmente mostrada nos filmes, nos livros, na igreja, nas brincadeiras de infância, nas propagandas de fraldas e de aleitamento materno e nas histórias das suas vizinhas e amigas. Por esta razão, entendemos que temas como a feminilidade, as transformações culturais no papel da mulher, o mito de mãe perfeita e a ambivalência do papel de mãe, guardam estreita relação com o que chamaremos possíveis causas da depressão após o parto.
QUAIS SÃO OS FATORES DE PROTEÇÃO?
Ø Boa relação conjugal e suporte emocional do companheiro observou que, quanto maior o suporte social do marido, menor a prevalência de DPP. Ou seja, a percepção da presença de suporte social, sobretudo do marido funciona como um protetor sobre a presença de DPP
Ø O apoio de outra mulher,
Ø Detecção precoce da depressão;
Ø Suporte social;
Ø Intervenção multidisciplinar logo que os sintomas sejam detectados;
Ø Um trabalho de prevenção, como o PNP;
Ø Também são considerados como fatores de proteção o otimismo, elevada autoestima, suporte social adequado e preparação física e psicológica para as mudanças advindas com a maternidade,
Ø Acompanhamento pré-natal psicológico e a sua relação coma prevenção de DPP
Complementar ao pré-natal tradicional, tem caráter psicoterapêutico e oferece apoio emocional, discute soluções para demandas que podem surgir no período gravídico-puerperal:
Ø Mitos da maternidade,
Ø À sua idealização,
Ø À possibilidade da perda do feto ou bebê,
Ø À gestação de risco,
Ø À malformação fetal,
Ø Ao medo do parto e da dor,
Ø Aos transtornos psicossomáticos,
Ø Aos transtornos depressivos e de ansiedade,
Ø Às mudanças de papéis familiares e sociais,
Ø Às alterações na libido,
Ø Ao conflito conjugal,
Ø Ao ciúme dos outros filhos,
Ø Ao planejamento familiar,
Ø Trabalhar o desenvolvimento da confiança na própria percepção e na própria sensibilidade
PORQUE MUITAS MULHERES NÃO BUSCAM AJUDA?
As mulheres e a sociedade acreditam, ainda hoje, que a maternidade é instintiva, e isso implica um comportamento inerente, sabido e já conhecido de todas as mulheres, que não carece de preparação ou aprimoramento. Assim, a noção de instinto garante ao mesmo tempo o pressuposto de uma “natureza feminina” como “natureza materna” que seriam suficientes para dar conta de uma função social tão complexa como a maternidade.
Este é um grande equívoco, disseminado social e historicamente, que leva muitas mulheres a se decepcionarem consigo mesmas como mães, com a maternidade.
As várias mudanças impostas às mulheres após a maternidade têm na sua grande maioria um elemento surpresa de caráter negativo e decepcionante” no que diz respeito às exigências da maternidade, sentimentos de isolamento do convívio social (envolvendo lazer e trabalho) e dificuldades no autocuidado:
“Sinto falta… do trabalho, sinto falta… de ir ao cinema, quando penso em minha carreira… vejo que devo ter paciência, sinto falta… dos meus amigos, Sempre que posso… me divirto um pouco, sinto falta… da minha liberdade, Sempre que posso… sinto falta… de cuidar só de mim”.
Acreditamos que a DPP esteja relacionada a essa “decepção e desilusão frente ao paraíso prometido”
Portanto, em uma perspectiva naturalizada da maternidade a mãe deprimida sente-se totalmente inadequada e responsável por seu aparente insucesso, pois ela deveria saber ser uma boa mãe, deveria saber parir, amamentar, dar colo, cuidar, afinal ela é uma mulher e as mulheres vêm “programadas” para isto. Como ela pode não estar sabendo cuidar de seu filho? Ou não estar vendo graça nenhuma na maternidade, ou o que é pior, não estar gostando e sentindo-se infeliz em ser mãe? Infelizmente, só no puerpério, já com o filho nos braços é que se darão conta de que não “nasceram” sabendo “tudo”, que a maternidade não é “dada” e nem “cor-de-rosa” e que teria sido importante se preparar, desmistificar a maternidade e pedir ajuda, favorecendo para que não houvesse um sentimento de estranhamento, decepção após o nascimento do bebê, pois a sociedade “vende” uma maternidade idealizada, que raramente coincide com a realidade vivida por quem acaba de ter um bebê Quando a mulher se depara com essa realidade, surgem as dificuldades de exercer o papel de mãe.
Assim, a assistência psicológica na gestação, por meio da utilização do PNP, é importante instrumento psicoprofilático, que ele é em si um fator de proteção, que, portanto, minimiza o impacto dos fatores de risco presentes, e dessa forma diminui a possibilidade da DPP.
Importância da psicoterapia durante a gestação e período pós-parto:
PRE-NATAL PSICOLÓGICO (PNP)
Tão importante quanto o pré-natal obstétrico, também é o pré-natal psicológico.
O que é Pré-natal Psicológico?
É um conceito em atendimento perinatal voltado para o acolhimento da gestante, para que ela possa falar sobre seus sentimentos e expectativas da gestação, parto e pós-parto, fornecendo suporte e um espaço seguro para que possa expressar suas alegrias, ansiedades, preocupações, dúvidas, medos e angustias.
Com caráter psicoterapêutico, o Pré-Natal Psicológico Individual proporciona apoio e desenvolvimento emocional, através de escuta qualificada e diferenciada do processo gravídico-puerperal, atuando de forma preventiva em diversos aspectos e favorecendo o processo de empoderamento da mulher para que ela alcance uma gestação e maternagem mais saudável e consciente.
Este acompanhamento psicológico durante a gestação ajuda a identificar precocemente sinais de fragilidade, sofrimento psíquico e possíveis casos de depressão pós-parto e outras patologias como ansiedade puerperal e transtorno do pânico pós-parto.
É preciso ficar atento, entretanto, pois na grande maioria das situações, estes processos não são patológicos, nem sempre há diagnósticos a serem feitos, nem sempre há uma depressão pós-parto ou uma rejeição ao bebê. Na maioria dos atendimentos é feito um reajustamento psíquico frente a grande mudança que é a maternidade.
Função paterna:
Compreender o papel do pai na dinâmica familiar e no desenvolvimento físico e metal do filho.
No primeiro momento:
Segurança afetiva e financeira.
Suporte emocional e material dado a esposa que se encontra fragilizada. Suportar a exclusão temporária da relação mãe-bebe e esperar pelo momento de participar mais ativamente.
Segundo momento, próximo aos 12 meses do neném, a presença paterna ganha novas facetas:
Ajudar a mãe a sair da simbiose com o bebê, chamando-a para si como esposa;
O pai será o primeiro vislumbre de integração para o bebê, antecipando o indivíduo unitário que virá a ser;
Nos cuidados maternos, o bebê começa a distinguir alguns aspectos considerados paternos tais como: ordem, de firmeza, de inflexibilidade;
O “não” que o bebê ouve inicialmente da mãe com o objetivo de protege-lo é um dos primeiros sinais da função paterna na vida da criança;
A presença ou ausência do pai refletirá na mãe como sentimento de proteção ou desproteção, que por sua vez, refletirá na qualidade da relação mãe-filho.
Embora o lugar do pai no grupo etário infantil entre seis e doze meses se apresente de forma menos expressiva em comparação com o lugar da mãe. O contato corporal entre pai e bebê, no cotidiano, é referência na organização psíquica da criança.
Vida profissional e maternidade.
Estas falas corroboram que mostram o quanto a busca por conciliar o ideal de maternidade e o bom desempenho profissional e social contribuem para o sofrimento materno após a chegada do bebê.
É muito comum a mãe não querer voltar a trabalhar quando termina a licença maternidade.
De fato, é um período curto mesmo. Então, fica mais propensa a tomar essa decisão.
Aqui, nesse momento, é preciso tomar cuidado. E dividir com o marido essa angústia.
No primeiro ano de vida, a mãe vive para o bebe, e num estado de simbiose.
Porém, quando o bebe completa um ano, a mãe vai desejando ter sua vida de volta, vai voltando ao seu estado normal.
Seu desejo de sair de casa, encontrar pessoas, ganhar seu dinheiro começa a voltar. E muitas mães acabam se arrependendo de ter deixado sua carreira de lado.
Muitas mães acabam se reinventando após a maternidade, como temos visto na mídia. Mas isso não é tão simples, nem tão rápido. O que acontece na maioria dos casos, e que as mulheres acabam se sentindo frustradas por não terem uma vida profissional. Sentindo-se confinadas a vida doméstica.
Isso é um outro ponto de conflito para o casamento.
Tudo vai variar de como essa mulher encara a vida profissional. Considera-se uma pessoa bem-sucedida ou não?
Às vezes, um filho se torna uma excelente desculpa para não enfrentar o mercado de trabalho. O que poderá acarretar uma serie de consequências em seus relacionamentos mais na frente.