Desejo, motivação, inspiração e fome!

A motivação (para tudo na vida!) vem sempre de um desejo. Você já prestou atenção no quanto nos sentimos vivos quando queremos alguma coisa de verdade? E por que será que, quando não conseguimos logo o que desejamos ou quando fica difícil demais, essa sensação boa vai embora? Afinal, é bom desejar?

Como é que você lida com o desejo? Eu vou explicar a minha pergunta, mas para isso preciso contar uma historinha trivial que me aconteceu hoje… Você sabe, desses acontecimentos banais é que a gente pode tirar as lições mais profundas…

Hoje eu estava indo encontrar uma amiga para almoçarmos juntas num restaurante que nós duas gostamos. Como é domingo, decidimos marcar um pouquinho mais tarde. Enquanto dirigia até o restaurante combinado, percebi que estava com bastante fome. Já tinha um tempão que havia tomado o café da manhã.

Fiquei feliz com aquela sensação no meu estômago. Que desperdício seria ir para um lugar onde a comida é tão gostosa e estar sem fome… Gostei muito daquela fome, de estar com fome! Que delícia é sentir fome quando sabemos que estamos a poucos minutos de comer muito bem! E ainda desfrutar de uma excelente companhia. Tudo certo! Eu estava grata por estar com fome. A fome tornou tudo mais interessante!

Mas essa minha felicidade antecipada, que a fome me trazia, também provocou algumas reflexões. O que é a fome? A fome é uma manifestação de um desejo físico. É maravilhoso desejar quando você sabe que o seu desejo logo será atendido. Estar com fome, ou com desejo, estava contribuindo para tornar a minha expectativa para a tarde muito mais agradável. Eu já imaginava o que comeria, como teria um prazer extra (por causa da fome) ao saborear o prato escolhido.

Porém, não pude deixar de pensar: como será que eu lidaria com essa mesma fome se eu soubesse que a comida iria demorar? E se eu tivesse ainda que comprar os ingredientes e cozinhar? E se eu não tivesse o que comer nas próximas horas? E se eu não soubesse quando iria comer de novo? Talvez eu ficasse bem irritada, talvez desanimasse, talvez reclamasse do próprio desejo.

Não sei se você está percebendo onde estou querendo chegar. Quero chegar na pergunta que lhe fiz lá em cima: Como é que você lida com o desejo? Como é que você lida com os seus desejos mais complexos como encontrar um novo amor, passar em um concurso, fazer uma viagem cara e demorada, ganhar mais, ser reconhecido no seu trabalho… Como?

Provavelmente esses são desejos mais difíceis de serem atendidos ou que vão demorar para acontecer. Esses desejos vão requerer trabalho (ação) e tempo (paciência e persistência). E aí? Será que você vai ficar feliz antecipando a satisfação que virá? Será que você vai curtir o desejo e aproveitar a motivação que ele representa?

Desejo e motivação são amantes, ou farinha do mesmo saco, se quiser ser menos poético. A motivação é o motivo para agir. A motivação vem do desejo, vem da antecipação do desejo satisfeito, do prazer que virá com essa satisfação.

Quando você está desmotivado, há uma desconexão com o seu desejo e com o prazer que ele pode antecipar. Ele deixou de ser um estímulo e passou a ser um incômodo. E, dependendo do caso, o incômodo pode durar meses, talvez anos. O cerne do problema é que você não tem certeza se vai conseguir satisfazer o seu desejo e quanto tempo vai demorar até lá. Ou pode ser que você até saiba, mas está infeliz por ter que esperar ou pelo esforço que vai empreender.

Então, a grande questão em se manter motivado é conseguir curtir o desejo e a antecipação de prazer que decorre dele durante o tempo (e o esforço nesse tempo, se for o caso) necessário para satisfazê-lo e mesmo sem saber se ele será satisfeito … É isso? Sim, esse é o ponto! A impaciência e a incerteza destroem a sua motivação.

Você pode estar intrigado: “mas não tenho mesmo como saber se vou atingir o que eu quero.” E eu respondo: decida-se a não se importar com isso! Porque, no fim das contas, você pode se decidir a acreditar que vai alcançar o que quer. Ou a acreditar que não vai. E essa decisão, que é emocional, vai impactar os seus resultados. Nenhum ser humano gosta de perder tempo ou energia com o que pode não acontecer! Como você não sabe, que tal apostar que sim?

Não importa se decidiu certo ou errado. Importa se a decisão permite que você esteja motivado para seguir em frente e fazer o que é preciso para conseguir o que quer. Importa se você está curtindo o desejo, porque, se você estiver, suas chances de satisfazê-lo vão aumentar muito!

Além do mais, respeite o seu desejo. As pessoas possuem desejos diferentes. Respeite os seus! A nossa mente foi feita de forma a desejar apenas o que é possível alcançarmos. Preste atenção, como é que a humanidade poderia ter desejado um carro em 1600? A mente humana ainda não achava que era possível, sequer imaginava algo como um carro. Foi só a partir da máquina a vapor que percebemos que um automóvel seria um feito possível. E então alguém desejou. E o primeiro carro foi fabricado.

E o meu desejo na tarde de hoje? Não comentei, mas o desejo é também amante da inspiração! Ah…! A inspiração! Melhor do que sentir um impulso forte, que você não consegue explicar exatamente de onde vem, de criar ou de fazer algo, é deixar-se seguir esse impulso e permitir-se a entrega ao desejo! Eu desejei compartilhar com você essa minha experiência comum e a reflexão incomum que ela gerou.

Depois de um período de alguns meses de trabalho intenso e de um descanso quase pleno, finalmente voltei a me sentir inspirada para escrever de novo. Obrigada, desejo!


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