Movimento

Entorpecida pelos valores, me deparo com gritos mudos, pois esses ficam abafados pelo desespero acostumado. Quero romper com a engrenagem que me torna produto, pelo exagero de estímulos e atributos inúteis ,com a função de distração de mim mesma, o prazer descarga atua, esmaga o sentir para preencher aquilo que nem existe, o que mantem esse sistema é a falta, pela ilusão que falta, nos tornarmos produtos ,a dicotomia desumana pautada nas demandas , verdades, poder,controle, traz o esvaziamento do desejo e abandono , assim,nos resta violência, trazida por esse ideal pontual que fomenta a competição em detrimento da colaboração-, o desamor fica impregnado no “ jeito certo ou errado, o mais evoluído ou involuído de se viver”.como modelos únicos, traz falta à todos, nos levando ao consumo aleatório,perdendo a diversidade incrível de formas de sentir e ser, ficamos cegos sobre nossas potencias. Nossa alma se perde na inteligência material que se desloca da função de recurso, como maquina reprodutora de ideais perfeitos que negam a vida. Passamos a operar como vampiros de alta produtividade, focando na quantidade de fazeres, no acúmulo de teres ….. ….e assim vivemos como maquinas ambulantes e automáticas, que acessam o sentir por uma película obnubilada, fragmentada,polimorfa , perversa , narcísica. Onde separa a experiência do ser em ter.. No tempo a duração não se marca, é fugaz, o limite se encontra no espaço material, literal, organizacional…..moral. Nao temos tempo para sentir a duração que se implica em entrega- A integridade da experiencia fica perdida pois não se marca no limite da ausência e presença, não nos proporcionando inteireza, qdo vivemos presos na memória material, local, remetido por uma lente de ilusão, o lugar que nos espera é aquele que não pode -se escolher, o medo passa ser o tecido que envolve as relações perdendo o movimento vivo e ativo, a passividade e a necessidade de acúmulo de segurança nos distancia de saber quais são os nossos desejos.Contudo, a sagrada solidão é propicia, nessa confusão que nos impede a afirmação da própria diferença, nos traz a indicação para um deserto sem projeção, afirmando a vida na condição humana,sentir no corpo as sensações da vida ao invés da espera pela transcendência que nega a imanência. Não estamos prontos, nada está determinado, tudo depende do como podemos nos conectar com o amor que traz a potência de criação , Aí, identifico o desejo, apontando escolhas,transformando conflitos em possibilidades ,com vontades! assim nasce a criação, que se inicia na entrega, na necessidade da própria natureza, de criar o encontro com o ritmo da alma, que se expressa na intuição , que produz uma idéia, um desejo, um gracejo, um sorriso, um encontro.Jogando a contabilidade de perdas e ganhos no lixo, se jogando no risco da espontaneidade de ser, sem expectativas , convocando o bem querer, com a inteligência da realização, de estar, de se experimentar , de se amar, para poder fundar o desejo da alma sem tantas descargas . A criação da própria singularidade. Com a suspensão de tantos estímulos, voltando se a entrega do presente único, natural do real que acontece, floresce trazendo intensidade, que alimenta o desejo, que dispara a inquietude e fomenta o ritmo com presença..trazendo a possibilidade de habitar na história viva. 
Fabiana Benetti