No cortante do frio, eu era uma ponte, uma ponte apoiada no abismo. Deste lado estava eu nas pontas dos pés,sobre o conflito que me levou ao profundo transe sonhado,dervixes em ação. … do outro as mãos,que presentificava meu corpo que se segurava na barra do metrô espacial. Ali aqui em todos os lugares com a percepção da minha própria corrente sanguínea trabalhando pela vida.Meus pensamentos andavam sempre a dar voltas, numa confusão. Num anoitecer de verão, inverno, qualquer estação estava em vão. Ouvi passos de um ser humano, demasiado humano — que racionalizava o interior e exterior que não há, esses conceitos são para a essência e aparência do mundo. Achava que com apenas sentimentos profundos chegamos ao profundo interior.-na essência?.A verdade é que a essência é o encontro com o vir a ser, e por isso não deve ser considerado o profundo com uma grandeza fixa, da qual se pudesse tirar ou rejeitar a razão suficiente.O não buscar nos faz encontrar, pois nos dá a possibilidade de estar…quem faz a busca uma meta só evidencia uma razão mística a impulsioná-lo, projeta- la fantasia-lá. ……Quem se coloca em postura de encontro, renuncia ao afã de achar. Assim o estado de inspiração do encontro nos dá o ato de criação. A arte é o testemunho do achado. É espontânea 😊que se encontra não é o desejado,como o ilusório objeto edípico original, mas sim a condição de buscador, se enganando, se encontrando,devagar perambulando, tecendo, errando humanamente- fazendo da vida a estrada e não a chegada..dando

sentido, sentindo ao encontro/desencontro que inspira a criar…

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