A louca tá ficando véia

Aí, a louca tava trabalhando. E sempre olhava para um menino bem novinho que ficava do outro lado da firma. Mas o olhar da louca não era de desejo. Não porque o mocinho não fosse. Aliás, ele era. E muito! Só que ela tinha 30 anos e ele beirava os 20. Ela chefe, ele estagiário. Ela uma mulher, ele um menino. Ela ainda não tinha entendido direito qual era aquele sentimento que a invadia sempre que estava perto dele.

Um dia, a sua equipe precisou se reunir com a dele e ela saiu daquela sala apaixonada. “Que menino, fofo, gente”, ela pensava. A louca precisava dizer o que sentia, caso contrário explodiria (lembra das gafes na balada? ela não aguenta calar a boca).

— Hey, você. É, você mesmo. Cara, você é demais. Um menino educado, gentil inteligente… E muuuito bonito! Juro, quando meu filho crescer, quero que ele seja igual a você.

Ah, então era isso…

Ela tava ficando velha. Mas velha pra caralho.