Buscando Meaning (Viktor E. Frankl)

Levei tantos tombos. Foram tantas crises, idas ao médico, trocas da medicação, efeitos colaterais. Anos enfrentando o pânico.

Renasci diversas vezes, mas depois de tantos mergulhos involuntários na própria mente, ocorreu um comprometimento cognitivo que me deixou sem saber como ser alguém de novo. E estar, e sorrir, e conversar, e sonhar, e dançar, e amar.

Retornei aos poucos, primeiro para a família e com a família. Voltei a ler, ver TV e ouvir música. Sair de casa, e sair de casa sozinha. Sair da cidade sozinha. Estudar. E conhecer gente. Interagir. Reencontrar antigos amigos.

Voltei a estudar mesmo que minha mente não seja mais a mesma.

Consegui me dedicar a algo por mais de seis meses. Consegui ter foco. Consegui ter saúde.

Fui morar em São Paulo. Voltei à atividade física.

Mais amigos. Mais vida. Mais conquistas. Mais família.

Voltei a patinar, atividade que sempre foi minha paixão, e através do patins encontrei o roller derby, esporte de contato sobre patins. Então descobri que eu também sirvo para um esporte, e que existe amizade, amor, respeito e trabalho, tudo num mesmo lugar. E que tem ainda tem muito espaço para cada um se doar e descobrir suas potencialidades.

Então lesionei o tornozelo. Desespero de ter outra crise, depressão, atrapalhar os estudos, conversas com psiquiatra. Enfim deu tudo certo, cinco médicos, três fisioterapeutas e seis meses depois retorno ao treino. FELICIDADE.

Uma semana depois desço um degrau e torço meu tornozelo. Também vou mal numa prova idiota de um concurso. Um filme passa na cabeça, de tudo que já vivi, do quanto me esforcei e de como me reorganizar e encontrar forças. LUTO.

É meu aniversário, 38 anos. Foi inferno astral e continuou o inferno astral. Ao mesmo tempo tive o amor de tanta gente e de uma forma tão inesperada. Tão bonito e especial.

Também tem Viktor E. Frankl que hoje me faz pensar nas pessoas que se reconstruíram depois de passarem pelos campos de concentração. Transformadas em números, desumanizadas. Histórias brutais. Ainda assim alguns sobreviventes conseguiram ter alguma vida, profissão, família. E eu não sou nem um quinto da unha do dedo mindinho de qualquer pessoa que tenha passado por algo semelhante.

Também porque uma vez decidi anos atrás: quero viver. Por isso recomeço todas as vezes.