Toda vez em que me preparo para escrever, gostaria de contar uma história diferente. Mais parece que almejo uma desculpa para não olhar para as coisas jogadas no chão, minha cama desarrumada há um mês ou prestar atenção na minha mente inerte no caos. Afundo-me cada vez que meus dedos não falam ao teclado que estou melhor, ou que não acho uma linha de pensamento que não te inclua. Eles me dizem para ser “forte” — mas, sendo “forte”, não consigo escrever.

As palavras traem. Elas contam os meus mais escondidos anseios ou os medos dos quais não quero falar. De repente noto: não há sexo que me faça sentir mais nua do que no momento em que eu escrevo, e assim começo um, dois, três textos que serão largados pela metade, enganando-me por achar que seja possível contar outro fim, inventar aquela que eu gostaria de ser, aguçar a criatividade para uma irrealidade. Se dá porque estou nua — e,se não estou, não escrevo.

Mas é que não existem histórias que não são verdadeiras. Se elas não existem materialmente, elas têm que, ao menos, existir nos pensamentos. Não encontro em lugar nenhum o momento em que te esqueci, ou o instante em que me desapeguei da sensação do seu abraço. O que eu desejo contar não são verdades porque em cada cantinho que meto meus olhos, vejo você. E eu nua, transpareço.

O texto se transforma em amor, em falta, em saudade. A linha termina na metade porque o coração fala, o raciocínio com qualquer lógica dá lugar ao meu eu, e não consigo fingir diante das palavras. Eu não escrevo sobre amor porque quero falar dele. Escrevo porque ele é parte de mim. E, sem amor, eu não durmo, não como, não danço. Não consigo, imagine você, nem mesmo escrever.

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