virando gente grande

Antes de eu vir morar em São Paulo, eu dizia para mim mesma que o principal motivo era para “virar gente grande”. Eu pensava que isso implicava em morar sozinha em um apartamento legal, tendo um emprego legal que bancasse minhas contas e o conforto com o qual eu sempre estive acostumada. Pura ilusão.

Depois de 730 dias aqui, eu virei, sim, gente grande. Mas não morei num apê legal, não consegui chegar nem perto de um emprego onde eu imaginava e faz dois anos que não tenho uma televisão. Não tem nem fogão na minha “casa”.

Foram inúmeros dias imersos em mim mesma, num autoconhecimento profundo, enfrentando todos os medos e traumas de 29 anos passados. Entrei em depressão, tomei remédios pra ansiedade, remédios pra dormir. Cheguei no fundo do poço de mala e cuia e parecia que nunca mais ia conseguir subir pra ver a luz de novo. Mas a vontade de crescer sempre foi maior.

De volta aos trilhos, continuei na minha saga por uma evolução como ser humano. Meses de terapia regados a muitas lágrimas, trabalhando o perdão, amor-próprio e algumas decisões me fizeram ter certeza que, hoje, 743 dias depois de chegar aqui, eu sou muito maior do que jamais imaginei. Virei um gigante do alto dos meus 1.63m.

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