Livre

A leveza e o abandono.

Sempre fui uma pessoa pouco pé no chão. Voava muito alto, nos ideais e nas cobranças. Acho que não mudei nada, só a aparência. Ainda sou uma criança rebelde e questionadora por dentro, que não aceita conformismos… Por mais inadequado que seja, isso me faz sentir viva. E eu quero sentir isso.

De todas as minhas modificações, a maior delas aconteceu recentemente. Não foi uma mudança sozinha, nem uma intervenção altruísta… Foi a construção de um relacionamento. E, por incrível que pareça, um relacionamento verdadeiro não se faz somente de realismo. Existe muita projeção, expectativas e delírios. E exigir que isso não exista é equivalente a acabar antes de começar. Colocar em caixinhas o que não poderia permanecer nelas, nem deveria.

Eu já tive meus delírios. Vários e intensos. Mas só aprendi que eles me faziam mal com a experiência e por que haveria de eu cortar a experiência alheia? Mas eu cortei. Talvez por medo, por inveja ou simplesmente por praticidade. Isso é um erro. Não recomendo que façam isso a ninguém. Talvez, para alguém, a única coisa que lhe salve de enxergar uma realidade cruel é a expectativa de que um dia tudo será diferente e que vale a pena se esforçar para isso. E, sério, não é isso que salva a todos? Portanto… Empatia, amores. Bora ter.

Leveza se confunde com abandono. Porque não se conformar é também não permanecer. E nem todos suportam isso, na verdade… É realmente difícil de entender. Mas eu penso assim: existem aquelas pessoas que criam raízes e são felizes assim, assim como existem aquelas pessoas que não possuem raízes e necessitam se transformar constantemente. Se uma tiver inveja da outra, elas nunca serão quem realmente são. Estarão presas no desejo daquilo que jamais serão e nunca poderão se amar ou respeitar verdadeiramente. Trágico, não? Mas isso acontece com frequência.

Hoje, eu não sei. Não me sinto alguém que é leve nem alguém que é chão firme. Devo ser um misto, sei me adaptar e lidar com as mortes e as partidas. Sei ficar sozinha, pelo bem ou pelo mal. Eu sou quase sem nome, quase sem história e prefiro que assim seja. Pelo menos, por enquanto. O que aprendi de leveza ou de peso é que tanto faz. O importante é realmente o que você faz com o que tem. E isso, realmente, para mim é imprescindível: a transformação. Não aceito menos que isso.

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