Abrindo Espaço para os Insights Criativos

Acredito que todo Designer, busca em seu íntimo, estar cada vez mais conectado aos possíveis insights criativos ao longo do projeto ou no seu dia-a-dia.
Aquela “sacada” que leva um possível efeito “wow!” seja dentro de um processo criativo, artístico ou até mesmo dentro de uma estratégia maior … quem teve, sabe que a sensação é ótima e normalmente acompanhada de uma imensa alegria.
Cada profissional tem a sua “receita” em buscar se conectar a esta fonte infinita da criação. No íntimo, acredito que todos percebem que não tem como “controlar isso” e que “simplesmente acontece” de uma forma tão natural que nem sempre percebemos os “gatilhos” que dispararam este processo, mas … e aqueles “gatilhos” que nos afastam dos insights criativos? Algumas vez já os percebeu?
Bom, gostaria de compartilhar 3 destes gatilhos. Inicialmente eu não os percebia, ficando apenas no âmbito reativo da coisa. Com o tempo fui adquirido mais “presença de vida” e com isso, comecei a percebê-los de uma forma muito nítida … foi um convite para ir além … um trabalho pessoal, íntimo que somou positivamente em minha vida trazendo muitos insights diários de criatividade e inspiração em todos os pilares da minha existência…então, vamos a eles:
1º Gatilho | Transparência e Honestidade para Consigo
Um exemplo clássico são aqueles dias em que acordamos com o “pé esquerdo” ou estamos passando por uma fase delicada em nossas vidas e preferimos “guardar” e “fingir estar bem” ao invés de comunicar abertamente, sem rodeios, de uma forma clara e tranquila os que de alguma forma dependem ou esperam algo de nós — trabalho, casa, família, etc. Seguindo esta dica, não gastará sua energia e nem seu tempo, sustentando “máscaras”, “desculpas” e “cenários” que vão roubar sua vitalidade e impludir seu potencial criativo. As coisas vão ficar mais “leves” e isso vai abrir um “espaço interno” e as ideias vão emergir, naturalmente…experimente!

2º Gatilho | Consciência Alimentar
Este tema é delicado, fundamental e tem muitas coisas boas publicadas que merecem um tempo para serem estudadas e vivenciadas. Infelizmente é comum passarmos boa parte da nossa vida analfabetos dentro do assunto “Nutrição”. Se aprofundar e vivenciar este tema, vai trazer muitos benefícios que vão refletir não só na sua carreira mas na sua vida como um todo. Boa parte da minha vida, não dei muita atenção para tudo isso e os “bons exemplos” quase sempre passavam despercebidos.
Hoje, me preocupo com a procedência e me informar do que estou ingerindo.
Alimentos orgânicos e naturais, trazem mais disposição, vitalidade e leveza para o meu dia. Quando acabo caíndo nas tentações industrializadas ou não orgânicas, consigo sentir a ação nociva no corpo.
Iniciar um processo criativo em meio a tanto desconforto, só após algumas horas quando o corpo já deu um jeito de lidar com tudo isso e as coisas começam a voltar ao “normal”.
Sei que em meio a tantas facilidades e possibilidades a nossa volta, associadas a nossa rotina e trabalho, algumas mudanças de hábito podem parecer difícieis ou até mesmo impossíveis no primeiro momento, mas o que vale é o “primeiro passo” … comece aos poucos, mas comece… vai substituíndo lentamente as coisas e se informando… com o tempo, o “sacrifício” sede espaço para a “consciência alimentar”.
Comecei a dar atenção a este tema, após ler e aplicar os ensinamentos do livrinho abaixo e depois disso, nunca mais parei. O que mais gostei foi a forma que o autor aborda o tema…não só com fatores histórico, mas também com os deafios pessoais que teve ao enfrentar uma mudança comportamental e os benefícios que colheu destas mudanças. Se você está sempre operando a base de remédios, visitando médicos quinzenalmente e com um imunológico sempre comprometido, achando que isso é normal … bom, nem sempre o que é “normal” é natural … o livrinho abaixo pode te ajudar em algumas mudanças e trazendo-as para a sua vida, bem provável que este quadro deixe de existir :)

3º e Último Gatilho | Excesso de Informação
No início da minha carreira eu era o típico “devorador de livros” … passava horas e mais horas enfurnado na biblioteca da Universidade, lendo revistas, artigos, livros e tudo mais ligado ao Design e suas vertentes.
De início, era fantástico … me sentia confiante e tinha resposta pra tudo … mas com o tempo e sem os “cenários” adequados para colocar em prática o que vinha aprendendo, as coisas começaram a se complicar pro meu lado…comecei a ficar ansioso e frustado.
Isso começou a me preocupar muito, pois queria fazer websites realmente criativos e diferenciados, mas os “insights” não vinham … sempre uma luta … ficava muito preso e preocupado por deixar tudo dentro das regras e normas dos grandes mestres do Design.
Para um estudante de Informática auto-didata, sem curso online, sem dinheiro, sem mentoria, internet discada, sem experiência de mercado e um monte de conhecimento “solto” em inúmeros livros sem uma ordem lógica de como aplicar tudo aquilo …como poderia um aspirante a Designer iniciar uma “carreira criativa” imergido em tanta informação?

“Praticar Daniel Sam, praticar!”
Enfim … com as palavras do Senhor Miyagi em mente, resolvi experimentar este caminho … mas logo vi que perceverar nos erros não te leva a lugar algum e não foi muito difícil ao ver meus websites sempre ficando uma “bosta atrás da outra” … mas nem tudo estava perdido … tava feio e sem criatividade mas tudo dentro das boas práticas da Usabilidade e suas vertentes … Não me Faça Pensar!? … ixi, mais um livro com boas práticas me convidando a olhar para a “lógica das coisas” … mas eu ansiva por despertar o lado artístico e “solto” do negócio … não conseguia tocar este ideal … estava muito longe … como eu poderia abrir um espaço criativo em meio a tanto pensamentos e normas a seguir? Onde está a criatividade e o espaço criativo que os artistas falam com tanta naturalidade e leveza em suas entrevistas que eu não consigo ver e nem sentir? Porque todos os meus trabalhos iniciam e terminam no mental, racional e lógico? Preciso transceder tudo isso, mas como?
Neste momento de desespero e frustação, acho que Deus me escutou e enviou uma nobre alma para me salvar do inferno que eu tinha transformado a minha vida — inferno feio, sem vida, mas tudo dentro das boas práticas…fácil de navegar.
Para esta grande missão, minha amiga precisou usar uma estratégia para me mostrar de uma forma prática como o excesso de informação pode nos aprisionar e limitar nossa “expressão” — “insight criativo” é uma delas.
O golpe foi forte mais certeiro … ela criou um site melhor, mais lindo e criativo que o meu em apenas 3 horas no Corel Draw … e o pior … ela patrolou as boas práticas do pai da usabilidade e as adaptou em seu projeto de uma forma que fazia todo o sentido perante a mensagem que desejava passar … era artístico, único e continha uma assinatura pessoal ao trabalho…coisa de Artista. Bom, após deixar de ter pena de mim mesmo e parar com a auto mutilação mental e emocional sem sentido, me indaguei em silêncio…
Como uma pessoa sem toda uma bagagem de conhecimento, em pouco tempo e com uma meia dúzia de site de referência (benchmark), fez um site melhor que o meu? Comendo salgadinho e ouvindo música ao mesmo tempo?!
“Bom senso e observação, óbvio!”
Foi a sua resposta a minha pergunta…e agora, isso não tem em livro e não faço a mínima ideia de como desenvolver isso em minha vida … engraçado que ninguém fala muito dessas coisas né … ou será que para alguns, como minha amiga, isso é tão natural que passa despercebido?
Ok, minha amiga era “artista” na essência, casos raros de se ver… se formou em Artes Visuais mas sempre viveu além dos “rótulos” … nunca se intitulou como “Artista Plástico” e isso a deixou livre para fluir em todas as área da sua vida.
Sobrevivendo ao golpe e olhando para este bom exemplo em vida, percebi que tinha me perdido em algum ponto da minha caminhada e acabei preso na sala do “conhecimento”. Tinha a informação e o conhecimento ao meu lado, mas faltava “expressão” na minha vida.
Segui os seus conselhos e passei por um processo de “desintoxicação mental” para criar um espaço fértil as ideias e insghts criativos.
Foi estranho de início, pois tudo que não estamos acostumados ou não fazia parte do nosso “inventário”, gera uma certa “estranheza” mas faz parte do jogo.
Avaliei minha rotina e comecei a frequentar lugares diferentes, conhecer pessoas diferentes, fazer cursos diferentes, pintar, desenhar, cantar, tocar violão, variar cortes de cabelo e estilo…enfim, experienciar o oposto do que eu já conhecia era fundamental para o meu crescimento pessoal…estava experienciando estas coisas sem saber onde ia me levar.
Tudo que eu não me “via fazendo” era o que eu “buscava fazer”. Aos poucos, muita coisa foi se “quebrando” nesse processo … a rigidez lógica se tornou maleável … posturas e condicionamentos foram sumindo e coisas boas que desconhecia em mim mesmo, foram surgindo.
Seguindo, dei um basta com as “pesquisas de opinião” e comecei a dar um crédito para a minha pessoa…confiar mais e perguntar menos.
Próximo passo, foi selecionar e filtrar tudo que chegava até mim e foi peça chave no processo — nem tudo que dizem ser importante é realmente importante (queda da bolsa, resultado do grenal, etc). Descartar e rever certos hábitos, informações e conhecimentos adquiridos foi fundamental para adquirir tempo, energia e um “espaço interno”.
Fica difícil aprender algo novo se toda a nossa energia e motivação está sendo usada para manter um monte de coisas que talvez não fazem mais sentido em nossas vidas. Algo que funcionou a anos atrás, não significa que vai continuar funcionando.
Avaliar em tempos em tempos o que carregamos, o que sustentamos (verdades, mitos, idéias, posturas, etc) é algo bom que aprendi … desapegar-se ou olhar pra tudo isso de uma forma harmônica e impessoal? Isso é outra história a ser vivida … mais caminhada … mais experiências … mais vida…pelo menos é assim que eu levo :)
A cada mudança conquistada, algo novo nasce no seu mundo e algo antigo morre … novos “skills” vão imergindo naturalmente, sem muito esforço… pois a vida é natural, simples e fluída … assim como os nossos insights.
Se ficar difícil, basta navegar em seu mundo pessoal em busca das “represas” que criaste e procure descobrir o motivo de estarem ali. Comece removendo as pedras “mais leves” … são mais fáceis e vão te dar força e confiança para seguir em frente e quando menos perceber, tudo vai fluir novamente.

