Ô, Dilma

Tanto que já estão escrevendo a seu respeito e cá estou eu, gastando mais umas palavrinhas. Mas, calma. Não é para te criticar.

Também não vou te defender.

Na verdade, não é nem com a Dilma presidente que eu quero falar. (Ou presidenta, como você prefere. Você não acha que isso pode ter ajudado as pessoas a pegarem birra de você? Eu acho.)

Quero falar com a dona Dilma, a “Di”, a “vó Didi” ou sei lá como as pessoas próximas de você te chamam.

Eu quero falar com a mulher magoada e sozinha aí no alto.

Li hoje, em algum lugar, que a rejeição dói tanto quanto um soco. Sentir-se rejeitado é uma coisa física, muito, mas muito doída. Nem sei por que fizeram pesquisa sobre isso, acho que era só perguntar. De qualquer forma, pensei em você. Em como deve estar sendo difícil toda essa coisa de impeachment. Você levou uma bela sova.

Sei que você foi torturada e já viveu mil coisas (câncer? morte? divórcios? traições?), então não dá para dizer que seja o momento mais difícil da sua vida. Mas, caramba, deve ser pelo menos top 10. E eu queria, de verdade, nesse momento difícil, te dar um abraço, e dizer que isso vai passar.

Tudo passa.

Você está cercada de gente que te apoia, mas deve estar se sentindo tão sozinha. Porque é uma onda de ódio grande demais contra uma pessoa só, não tem barreira que proteja. Eu te admiro por aparecer na TV e fazer discurso, mas não é difícil imaginá-la de pijama, na cama, em posição fetal, chorando baixinho e pensando “o que é que eu vou fazer agora?”.

Não é difícil imaginar, porque todos estivemos assim, algum dia.

(Até o Temer, aposto.)

Eu me senti. Claro que perder meus colegas de faculdade não se compara a perder a presidência, mas, é o que dizem, cada um com a sua cruz. Não se julga a dor do outro. Talvez a dor da menina que tem medo de ir para a aula e levar umas porradas das coleguinhas sem saber direito o porquê seja até maior do que a de uma mulher adulta perdendo o cargo mais importante da república sem saber direito o porquê. É a primeira batalha da menina, ela ainda não tem a casca grossa e o soco entalado. Ela não conhece o sofrimento.

Mas você conhece. Mesmo assim, você tem o direito de sofrer. Pode ficar triste. Pode chorar. Que se danem as revistas machistas e a zombaria e as charges e as piadinhas. Você é um ser humano. As pessoas esquecem disso, né?

Então, Dilma, não sei como está a sua consciência. Não sei se você está com medo, assustada, resignada, indignada… um pouco de tudo isso, imagino. Meio distante. Meio perplexa.

Talvez você tenha mesmo roubado. E ajudado a roubar. Ou fechado os olhos para a roubalheira. Ou não? Não sei. Não me cabe julgar. Não te apoio e não te repudio.

Nesse momento, só quero vê-la como um ser humano. E deixar a você o meu abraço e a minha compreensão. A compreensão de um ser humano cheio de erros e falhas, se vendo em outro.

Levante a cabeça. Isso também vai passar.

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