Confissões de uma Poké-holic

ou: por que eu parei de jogar Pokémon Go antes que o jogo me matasse

Acabo de desinstalar Pokémon Go! do meu celular. Saí das comunidades, dos grupos de Facebook, troquei o papel de parede do Snorlax e pedi para o meu colega que também joga não falar mais sobre o jogo comigo.

Não tenho maturidade.

Desde que comecei a jogar, estou mais ansiosa do que nunca. Quero ficar o tempo todo vendo se tem Pokémon por perto. Quero conseguir Pokémons novos. Quero chocar ovos.

Aos poucos, o que era para ser uma diversão foi se tornando um inferno. Primeiro, porque o jogo exige demais. Um bom celular. 4G. GPS. Uma bateria que dure muito, um carregador e um powerbank. E é difícil que esse combo todo funcione simultaneamente, ainda mais morando no fim do mundo, como é o meu caso.

Pensei seriamente em trocar de celular só para jogar Pokémon Go, sendo que meu celular faz tudo que eu sempre precisei e nunca me deu problemas. Eu sempre achei ter celular bacana uma bobagem, mas cheguei a pesquisar preço de iPhone. Pra jogar.

Antigamente, eu carregava o celular durante a noite e ele funcionava o dia todinho, sem problemas. Agora, ele passa o dia conectado –no computador, no carro, na tomada–, assando de tão quente. Desinstalei tudo que tinha nele, coisas úteis e divertidas, só para o Pokémon “caber”, e mesmo assim o coitado não dava conta.

A internet não foi um grande problema porque meu marido me deu um chip com internet ilimitada. Se eu tivesse dependido da internet da Tim, certamente esse texto teria saído muito antes.

Por fim, quando caminho e percebo que o jogo não está acompanhando, fico nervosa. Em Curitiba, ele me acompanhava, era muito legal. Mas, por aqui, não tem muito o que fazer: o GPS simplesmente não funciona direito.

Isso tudo é frustrante DEMAIS.

O que era para ser uma diversão virou uma coisa que me deixa irritada, histérica, mal-humorada e impaciente. Se meu marido passa por um Pokéstop muito rápido, eu reviro os olhos. Se o GPS trava pouco antes de um Pokéstop, e volta a funcionar só depois, eu faço “dentinho” (um trejeito com a boca que indica irritação, e que minha avó e minha mãe também fazem). Se aparece um Pokémon nas proximidades e eu simplesmente não consigo encontrá-lo, grito. Se a internet cai, atiro o celular no chão.

Ah, e também tem a ansiedade: passar o dia todo espiando o celular para ver se alguma coisa aparece ou um ovo choca.

Eu não quero ser assim. Eu já fui assim, e foi uma luta tão sofrida abafar essas bad vibes. Era pra ser diversão. E foi; como disse o Alexandre, “ nos dias que fica feliz, fica muito feliz também”. Mas eu não conheço o limite saudável. Então, melhor cortar de vez.

Claro que a desintoxicação será difícil. Eu realmente gosto de Pokémon, sempre gostei. Por um tempo, vou ficar pensando que Pokémon pode estar por perto. Quando ouvir outras pessoas falando sobre o jogo, vai ser sofrido.

E nem tem grupo de ajuda. (Pokémonicos Anônimos?)

É difícil saber quando uma coisa começa a ser mais prejudicial do que legal. O limite entre o prazer e o vício é muito, muito tênue. No meu caso, é melhor ficar bem longe da linha, para não cair para o outro lado.