Simpatia: tem gente que tem e gente que não tem.

Eu definitivamente não tenho.

Toda vez que entra um novo estagiário ou jovem aprendiz aqui no meu trabalho eu me desdobro pra ser simpática, fazer brincadeiras, ensinar do jeito mais gentil possível. E eles NÃO ME DÃO A MENOR BOLA.

Não os culpo. Eu não sou simpática. Minha simpatia certamente soa tão forçada para eles quanto para mim.

E, pior, quando eu tento ser simpática e acabo desprezada, isso me faz criar um ódio deles. Que tempo perdido. Que gente inútil.

Que idiota que eu sou por tentar ser alguém que não sou.

Eu aprendo muito com a minha colega, que é über simpática. Mas não dá pra aprender tudo. Ser simpático é algo que não deveria exigir esforço. Ela não precisa se esforçar, ela simplesmente conquista, irradia essa coisa que faz todo mundo confiar nela e querer conversar com ela.

Os autores de autoajuda que me desculpem, mas isso não se aprende e não se ensina.

Dá pra melhorar, claro. Mas simpatia é algo inerente à pessoa, e não uma semente que você rega e vira planta e dá flores e frutos.

Aí eu vejo meus outros colegas. Alguns que são razoavelmente simpáticos, outros que convivem com os jovens durante dois anos e, no final, nem sabem como se chamam.

Eles sofrem menos que eu. Eles não ficam com raiva por serem desprezados. Porque eles não ligam.

Aí eu tenho duas opções.

Uma, é tentar ser mais simpática. Continuar tentando aprimorar essa arte. A semente não vai ser mais que um matinho, mas que seja, pelo menos tentei ser um ser humano melhor e mais evoluído.

Nesse caso, tenho que lutar contra a minha personalidade, porque o modus operandi é o silêncio e a introversão.

Ou simplesmente posso dizer oi e seguir em frente com a minha vida. Não preciso puxar conversa, não preciso fazer brincadeirinhas e, se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem.

O que também não é fácil, porque me leva a toda uma sensação de isolamento e rejeição que pega muito forte pra mim.

O bom é que terei muitos anos e muitos estagiários e aprendizes para testar todas as formas possíveis de interação.

Tadinhos.

Tadinha.