O jornalismo não é mais feito somente por jornalistas


Publicação Original — Dez 2008

Na recente tragédia causada pelas chuvas em Santa Catarina, a movimentação ocorrida na internet, principalmente através do Twitter, que mostrou internautas catarinenses atualizando notícias sobre as condições das regiões atingidas naquele estado, confirmou uma tendência: o fortalecimento do papel da cidadania por meio do uso de redes sociais.

No blog da clicRBS um post curto, porém muito bem colocado por Leonardo Corrêa, levanta a questão sobre o hiperlocalismo — o papel do jornalismo-cidadão -, proposta pelo site journalism.co.uk.

Acredito que cada vez mais os internautas terão uma maior participação na produção de conteúdo informativo espalhado pela grande rede. Os blogs são exemplos cada vez mais exemplos vivos disso. Artistas, jornalistas (eu), pseudo-celebridades, todos hoje têm seus blogs e literalmente por várias vezes “furam” jornais e revistas. Cabe aos próprios internautas o discernimento para acreditar nessa ou naquela fonte. Imaginem o que o Twitter, os blogs e flickrs da vida teriam mostrado e noticiado no trágico 11 de setembro de 2001? Ainda hoje, me lembro de um fato aqui no Rio em que um taxista reportou um tiroteio ao vivo, em plena Linha Vermelha, num programa de rádio. Ele entrou ao vivo e a audiência foi considerável, pois gerou uma resposta de outros ouvintes naquele exato momento.

Acho que os meios de comunicação mais tradicionais, como rádio e TV, também deveriam se dedicar a uma programação mais local. É claro que isso esbarra em uma estratégia comercial. Mas, com todo o respeito a qualquer estado brasileiro -, eu não tenho o menor interesse em um buraco que causa problemas em uma rua no interior. Assim como quem mora no interior não se interessa muito pelas mazelas da cidade grande.

Esssa imagem é de 2015 mostrando pessoas gravando em seus celulares manifestantes de Manhattan em apoio aos protestos ocorridos em Baltimore — Hiperlocalismo nos EUA.

O hiperlocalismo já é uma realidade. Resta saber o que será realmente relevante e o que será “barriga”. O que não se pode é desvalorizar o trabalho dos jornalistas, pois eles são mais preparados para tratar a notícia de uma maneira profissional. Os jornalistas também deverão conviver com os conteudistas de plantão, pois deles pode vir o próximo furo ou a próxima ideia em comunicação. A palavra de maior destaque neste paradigma da comunicação atual é a coexistência.

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