Veja as ameaças que um homem faz depois de bater no carro de uma mulher.


Acidentes de trânsito, infelizmente, são muito comuns no Brasil. Acidentes mais leves, mais fortes, com vítima, sem vítima. Nesse post eu vou falar de um acidente leve, sem feridos, mas cujo final foi infeliz pra dona do carro atingido por uma moto. E tudo isso, única e simplesmente por ela ser mulher.

Pra contextualizar, vale dizer que entre 2016 e 2017 a Amanda esteve envolvida em 2 acidentes de carro. Em um deles, eu, Fábio, estava presente. A gente tinha saído de um jantar, ela tava dirigindo de boa e um Golf ultrapassou o farol vermelho. O Golf simplesmente cacetou a lateral do passageiro — onde eu estava.

Nesse acidente, o motorista fugiu antes que pudéssemos anotar a placa. O prejuízo pra Amanda foi de R$3500. O cara passa no farol vermelho, dá fuga e o prejuízo fica pra pessoa que tava fazendo tudo certinho no trânsito. Amanda consertou o antigo carro — assumindo pra si o prejuízo de R$3500 — e vendeu logo em seguida. Pegando um Ford KA 2009 meses depois.

E é sobre esse Ford Ka que vamos falar.

No dia 23 de Maio a Amanda tava voltando do trabalho quando uma moto bateu na lateral-frontal do seu carro. Como todos bem sabem, esses carros mais baratos desmontam e racham com a menor das batidas. Após o Motoboy identificado como Vilton bater no para-choque do Ford KA da Amanda, esse para-choque rachou e se soltou. Ele não quebrou no meio, apenas rachou e soltou. Mesmo assim, precisaria ser trocado.

Foto tirada segundos após a batida. O para-choque do Ford KA ficou assim.

Momentos após a batida, Vilton se identificou e forneceu seu número de celular e se prontificou a pagar o prejuízo. Mas foi tudo da boca pra fora. De primeira, ele se comprometeu a orçar a peça. No final já estava ameaçando a Amanda.

Segue agora o diálogo travado entre a Amanda e o Motoboy Vilton — que foi ficando cada vez mais agressivo.


O primeiro contato:


“Eu vou ver o que eu posso fazer por você, mas não é muita coisa devido eu não ter colidido com seu veículo”

Peraí, quem nesse mundo que não colide com o veículo de alguém e diz que ‘vai ver o que pode fazer’?

Se você tem certeza que não bateu no carro de alguém, você não diz ‘vou ver o que posso fazer por vc’.


A teoria de Vilton é que não dá pra rachar um para-choque sem ele cair da moto. Mas quem tem carros baratos sabe muito bem que qualquer encostadinha racha, tira peças do lugar. Tem motoboy que mete o louco no corredor, arranca retrovisor de motorista e mesmo assim não cai da moto, imagina uma simples rachada na lateral de um para-choque. Qualquer batidinha causa isso.


Aqui vemos o jogo mudar e começar a agressividade. Notem que a Amanda em nenhum momento trata Vilton maneira mal-educada ou grosseira.

Assim que ela diz que exige Nota Fiscal, afim de evitar estimular o mercado de peças roubadas, o tom de Vilton muda.


‘Tá querendo exigir muito’

Exigir Nota Fiscal de um produto (na intenção de não comprar uma peça roubada) agora é ‘exigir muito’ na concepção de Vilton.


Ele repete:

‘Vou ver aqui o que consigo ok’

Quem que, não sentindo-se culpado de algo, diz: ‘vou ver aqui o que consigo’? Ninguém, né?


Até aqui Vilton ainda permanece disposto a pagar o prejuízo. Mesmo, segundo ele, não tendo batido no carro. Curioso alguém se oferecer pra recuperar um para-choque que não atingiu, né?


3 semanas depois do último contato, como não obteve nenhum retorno de Vilton, a Amanda retoma a conversa. A partir desse momento começam as ameaças.

“Só lamento”

Até esse momento, Vilton não tinha enviado nenhuma mensagem de voz. Mas, numa tentativa de intimidar a Amanda, ele envia duas mensagens em tom debochado, agressivo e ameaçador.


Antes era: “Vou ver o que posso fazer por você.”

Depois: Você quer dar o Golpe!”


Ouça aqui os áudios da conversa acima. Reparem no tom de voz cada vez mais agressivo de Vilton.

“Faz o que você quiser, mano.”
“Eu nem bati no seu carro. Meu pé só passou ali.”
“Cê não vai ter nem 1 real de lá, muito menos de mim. Procê largar a mão de ser besta, certo? Cê quer dar golpe nos outro? Pra cima de mim? Cê não vai arrumar é nada. Só lamento pra você, certo?”

E, no segundo áudio, a ameaça final num tom de voz de ameaça:

“Cê não vem atrasar meu lado, heim? SÓ TE FALO ISSO AÍ”

Vilton trabalha na Pizzaria Giovanna, que fica na Rua Oriente, 932 — Bairro Barcelona — São Caetano do Sul.

Com a negativa de Vilton em assumir o prejuízo da batida que ele provocou, será que a Pizzaria Giovanna vai arcar com o prejuízo que seu funcionário deu enquanto estava a trabalho?

Em breve descobriremos a resposta e eu vou atualizar vocês de tudo.

Ps: Essa é a página de Facebook da Pizzaria: https://www.facebook.com/giovannapizzaria/


A pergunta final que fica, é:

Será que se Amanda fosse um homem, Vilton tentaria enrolar o motorista dessa maneira cínica?

Será que se Amanda fosse um homem, Vilton insistiria que não foi ele o culpado pela rachadura e desmonte do para-choque?

Será que se Amanda fosse um homem, Vilton usaria o tom de ameaça que usou nas mensagens de voz acima?

Será que se Amanda fosse um homem, Vilton seria agressivo dessa maneira?

A resposta todos sabemos.


Ameaça é uma velha tática dos homens pra cima das mulheres. Amanda foi a todo momento educada e direta. Mas isso não impediu Vilton de ser agressivo e fazer ameaças veladas.

Isso precisa acabar. Não é justo que alguém bata no seu carro, se comprometa a ajudar — passando, inclusive o número de contato — e depois dê uma de desentendido, dizendo que o carro já tava quebrado.

Pior: se tornando cada vez mais agressivo com uma pessoa que só quer seu para-choques consertado.

Essas ameaças não podem continuar. Esse abuso precisa acabar.

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