O que é o Bitcoin?

Não é sempre que a sociedade depara com novidades inventivas tão revolucionárias como a criação do conceito do Bitcoin. Para algumas pessoas parece que simplesmente o Bitcoin é uma moeda como qualquer outra moeda emitida por algum país, só que esta interpretação estaria equivocadamente simplista.

O Bitcoin é na realidade a criação inventiva de alguns pesquisadores do primeiro ativo completamente digital, é como se literalmente descobríssemos que jogando Minecraft poderíamos minerar um ouro totalmente digital.

Até a criação do conceito do Bitcoin pelo whitepaper do Satoshi Nakamoto de 31 de Outubro de 2.008 se acreditava que não era possível existir no meio digital da Internet alguma coisa que pudesse se tornar escasso.

Como tudo que é digital permite cópias ilimitadas sem a perda da qualidade original, qualquer coisa de valor tende a perder rapidamente seu valor de mercado pela facilidade da cópia entre as pessoas.

A sacada do Satoshi Nakamoto foi a criação de um ativo abstrato chamado Bitcoin que é criado através de um livro contábil digital de posse coletiva chamado de Blockchain. Através desde livro é possível então anotar a criação do ativo, para quem este ativo criado está sendo registrado, e depois para quem este ativo está sendo transferido.

A grande dúvida no momento da criação do conceito é se algo escasso mas de existência totalmente abstrata fosse capaz de adquirir valor de mercado por causa da procura por ele.

Esta dúvida acabou sendo sanada quando a primeira operação com Bitcoin que se tem notícia: a compra de uma entrega de duas pizzas pelo valor de 10.000 Bitcoins no dia 22 de maio de 2.010, um valor que a valores de hoje representam 287 milhões de Reais!

A partir deste evento logo começaram a surgir preços de mercado em dólar do valor do Bitcoin, primeiro através de propostas de compra e venda em listas de discussões, e mais tarde através de exchanges especializadas como a MtGox.

O Bitcoin então acabou comprovando a tese de que qualquer coisa que tenha as características de ser duradouro, fracionável e transacionável possui o potencial de se tornar um produto e um meio para trocas voluntárias.

A moeda sempre foi um ativo do portador do mesmo, o que implicava grandes responsabilidades para quem o guardava de esconder e proteger contra ladrões e quanto a perda. Este problema levou a criação de serviços chamados de bancários, negócios de terceiros que passaram a guardar estas moedas e permitir o transacionamento contábil da propriedade através de cheques e ordens de pagamento.

Com a disseminação da informática este serviço passou a não mais ser operado nas agências e sim através de grandes computadores centralizando todas as operações, o que permitiu a fase atual que estamos vivendo hoje, onde uma boa parte das transações passou a ser feita de forma totalmente digital.

A informatização permitiu então a imposição pelos Estados de que toda a transação de dinheiro digital acontecer apenas de forma nominal, o que aumentou a segurança para os correntistas ao mesmo tempo que entregou controles muito poderosos de controle de evasão de divisas, de evasão de impostos e de financiamento de crime.

O Bitcoin acabou virando o primeiro ativo ao portador totalmente virtual, o que quer dizer que temos pela primeira vez na história a possibilidade de fazer um pagamento a distância sem a intermediação de um terceiro/banco.

Isso é revolucionário por permitir a desintermediação de todo o legado de controles e regulações impostas pelo estado, o que reduz significativamente o atrito imposto por eles.

Qualquer pessoa de qualquer idade ou país passa a ser capaz de executar uma transação com qualquer outra do mundo, e tudo isso sem que nenhum terceiro precise validar ou autorizar. É a liberdade plena de utilizar a riqueza produzida da melhor maneira que convier.

Como ativos ao portador aumenta o risco de roubo e de perda significativamente, isso quer dizer que também no Bitcoin teremos uma fase de aprendizado de como fazer custódia segura ou de como contratar serviços de terceiros de custódia.

A custódia de um ativo ao portador sempre foi um problema, mas no caso do Bitcoin a situação é ainda mais complicada. A segurança é dada pelo armazenamento seguro de uma senha secreta chamada de “chave privada” da carteira, e o risco de acabar deixando vazar esta informação deixando em lugar visível ou acabar a perdendo jundo com um defeito no computador é gigante.

Como este ativo não é visível, é apenas uma anotação abstrata num livro contábil na Internet, até para saber se está sendo roubado é uma dificuldade grande.

Esta dificuldade está levando as pessoas menos hábeis a armazenar a sua riqueza em criptomoedas em carteiras de exchanges hoje em dia, da mesma forma que hoje não guardamos as notas de papel debaixo do colchão e sim com os bancos.

Só que estamos ainda na infância deste mercado, os serviços de custódia de ativos digitais só vão aumentar, e muito provavelmente serão regulados pelo Estado tanto para gerar segurança a população como também para acompanhar o movimento de ativos suspeitos.

Por fim, o Bitcoin é apenas a primeira criptomoeda que foi criada. O sucesso da experiência logo provocou a criação de muitas outras moedas com características diferentes das mais diferentes maneiras.

Hoje em dia já temos milhares de criptomoedas diferentes, sendo que cerca de 70 possuem um valor de capitalização acima de 100 milhões de dólares, 13 acima de 1 bilhão de dólares e 3 acima de 10 bilhões de dólares: Bitcoin, Ethereum e BitcoinCash. É um mercado já enorme aonde muita gente conseguiu reunir riquezas muito expressivas aproveitando a subida expressiva do valor dos ativos nesta pequena história de 9 anos…