Ser empresário não é emprego, é uma missão!

Como o desejo de poder e o foco no curto prazo impede a evolução do empresário

Aprenda a largar o osso…

Pode parecer estranho para muita gente, mas esta é a melhor maneira de valorizar a sua empresa e a fazer perpetuar: você, empresário, deve descobrir como ser demitido da sua própria empresa.

Da mesma forma que o líder constrói novos líderes e times para o substituir, o empresário empreendedor tem que fazer a mesma coisa, descobrir como deixar de ser necessário para a empresa.

A melhor maneira de perpetuar o valor é tornar a empresa vendável o tempo todo. Ou seja, um ativo que não depende completamente do empresário e que quem possuir o capital vai poder decidir e obter os resultados destas decisões, num processo impessoal.

Ao mesmo tempo o empresário precisa saber que não vai durar para sempre esta ideia de ditador na empresa por toda a vida. Nesta visão, no momento que o empresário envelhece ou adoece, a empresa também envelhece e adoece, pois o empresário se liga diretamente à empresa.

Vejamos então como funciona a evolução do empresário em uma Startup:

Fase 1: O Empresário Peão

O empresário começa a empresa apenas com ele e com os sócios, aonde eles fazem todos os papéis: acionista, diretor, gerente e funcionário. Muito provavelmente executando todos os papéis de forma misturada, pouco racional e voltado ao feeling.

A parte acionista, então, é a mais confusa de todas pois é ainda totalmente incerta, e as principais fontes de capital levantadas pelos acionistas são capital próprio e o próprio tempo de forma não remunerada.

Neste momento, o enfoque operacional é o determinante por estar relacionado ao dia-a-dia, apesar de que se o plano estratégico sendo executado pelo seu lado diretor não for observado vai ser difícil sair de uma posição de profissional liberal para a posição de um verdadeiro empresário.

Fase 2: O Empresário Gerentão

Quando o negócio começa a sair do lugar os primeiros funcionários são contratados exatamente para as atividades mais operacionais. O empresário então começa a delegar atividades mais simples e passa a gerenciar o tempo dos novos funcionários.

Este é o momento que o empresário é capitalista, diretor e gerente, mas ainda com algum operacional estratégico na mão dele. O dia-a-dia progressivamente passa para o papel de gerente e o principal risco aqui é focar demais na performance da equipe e relegar a execução do estratégico exigido do papel de diretor.

O consumo de capital se eleva em uma ordem de grandeza, e então novas fontes de capital passam a ser necessárias, como empréstimos bancários, capital anjo, favores de amigos e aquele dinheiro da família.

Fase 3: O Empresário Chefão

Passando de uma dezena de funcionários começa uma nova mudança: não é mais possível gerenciar todo mundo, e alguns dos funcionários serão selecionados para coordenar outros funcionários.

Neste momento é importante que os empresários comecem realmente a abandonar todas as atividades operacionais, talvez retento apenas aquilo que for absolutamente essencial pela especialização ou criticidade do negócio, pois neste momento o papel de diretor começa a se tornar o que consome o dia-a-dia. Nem tudo que acontece na empresa chega mais ao conhecimento do empresário e ele vai precisar a localizar gestores de confiança para permitir a escala da empresa.

Este período é extremamente complicado por ser o momento com a maior quantidade de diferentes “pires sendo mantidos girando no ar”: atividades operacionais, gerenciando pessoas, desenvolvendo gestores, delegando parte da gestão, dirigindo a empresa e, como acionista, lidando com mais um aumento de uma ordem de grandeza no consumo de capital.

Além disso começa a surgir a politicagem e a manipulação, os gestores começam a disputar poder entre eles e com os empresários para busca de mais espaço, o que é uma coisa boa por mostrar ambição e desejo de crescimento, mas se não for direcionado corretamente por um verdadeiro diretor serão energias desperdiçadas apenas para objetivo dos próprios gestores.

Este também é um momento que o empresário pode entender que concluiu a sua evolução, pois é acionista de um ativo importante (a empresa) e é um empresário de sucesso, além disso é um diretor poderoso teoricamente com cargo vitalício, não estando mais sujeito a nenhum adversário fora o mercado.

Muitos empresários acabam empacando neste ponto por dar um bom retorno financeiro e uma satisfação pessoal grande, mas também é um lugar perigoso para estar por ser uma situação confortável e com poucas cobranças, pois o “chefe” neste caso é o acionista que é o próprio empresário. É uma situação tão perigosa que em casos extremos levam à destruição do capital da organização devido ao interesse de poder e de renda dos empresários às custas da organização.

Fase 4: O Empresário Acionista

Se a empresa chega a este ponto, então, o empresário chega a sua posição mais importante de todas: o acionista dedicado ao seu ativo. O empresário acionista transcende aos desafios operacionais, aos desafios de desenvolvimento do time e aos desafios de gestão e poder dentro da organização, e passa a ver todos estes desafios como atividades remuneradas pela própria organização.

E este é exatamente o momento do salto de uma simples empresa para verdadeira empresa: o momento que os próprios diretores reconhecem que são também empregados dos acionistas. É a submissão de todos os interesses pessoais de cada um que trabalha para a organização ao interesse principal da existência da organização, que é a geração de riqueza aos acionistas e a sociedade.

Distanciar-se do dia-a-dia de uma empresa é sempre difícil, e a perda de controle sobre as pessoas é algo muitas vezes inaceitável para o ego do empresário, só que é necessário para a evolução dele.

Fase 5: O empresário multi-empresas

Neste momento o empresário consegue perceber que a empresa não é o mundo, e sim apenas um dos meios pelo qual ele interage com o mundo. É o momento que o empresário descobre que pode construir outras empresas, tanto derivadas da empresa original quanto empresas completamente diferentes, ou ainda outros empreendimentos e causas humanitárias, religiosas ou sociais.

É a hora de potencializar as experiências e assumir novos desafios começando novas Startups ou ajudando Startups em dificuldades, nem que para isso venda parte ou todas as ações que possui na empresa para gerar capital para os novos empreendimentos.

A missão do empresário

A principal função dos líderes de um negócio é escolher pessoas melhores que eles, para manter a companhia no caminho, mesmo sem os líderes. — Jorge Paulo Lemann

Empresários… Não transformem as suas empresas em seus empregos vitalícios.

Vocês desenvolveram algo grandioso, levaram um grupo de pessoas para a realização de um objetivo comum e, com isso, geraram riqueza a todas as pessoas envolvidas, sejam clientes, fornecedores ou empregados.

Não tornem a sua criação na sua própria prisão…

Como o TimeFinanceiro pode ajudar?

Nosso objetivo é consolidar a gestão e a governança das empresas, buscando a separação clara da posição do acionista e da posição do diretor, e a melhor forma de fazer isso é organizar a empresa como Sociedade Anônima o quanto antes possível, preferencialmente antes do surgimento do “Empresário Chefão”.

Nesta estratégia, a governança e a transparência contábil de alta maturidade permite que os acionistas e os conselheiros indicados consigam planejar e desenhar estratégias tecnológicas e de uso de recursos de forma assertiva, de forma que o “capital” da empresa consiga realmente governar o destino da empresa para os anos a frente.