Meu filho pega todas! Não, espera…

O vídeo é um comercial do McDonald’s na França. A cena é comum. Um pai quer que seu filho seja o que pega geral, o macho alfa, o garanhão, o paquito, o que passa o rodo. Mas… com mulheres, claro! Sinto dizer que nem sempre foi, nem sempre é, e nem sempre será assim.

Você, pai, já parou para se perguntar se o seu filho realmente quer ser assim? E ainda que queira, será que o desejo dele é realmente por mulheres? Na grande maioria das vezes isso nem passa pela cabeça destes pais, parece um assunto distante, presente só em outras famílias e nas novelas da Globo. Normalmente vão logo dizendo com orgulho: “meu filho pega todas!”. Se fosse filha, provavelmente estariam pensando outra coisa, mas isto é assunto para outro post.

O fato é que isso acontece com mais frequência do que podemos imaginar, e estes pais muitas vezes sequer conhecem seu filho o suficiente para entender o que ele realmente gosta e quer para a sua vida sexual e amorosa. Muitas vezes estes assuntos são tabus na família, e deixam de ser explorado na adolescência e juventude de seus filhos.

Mas como lidar com isso?

A minha interpretação do pensamento do rapaz ao final do vídeo é: “ele realmente não sabe de nada, mas deixa pra lá.” É comum o rapaz estar apaixonado por outro e não poder falar ao telefone com medo de que seus pais escutem. Aproveitam os momentos a sós para rápidas demonstrações de carinho.

Muitas vezes os pais não sabem que têm um filho homossexual, geralmente por falta de atenção ou ingenuidade, mas principalmente por falta de boas e sinceras conversas. Demonstrações de machismos como estas do vídeo só afastam e diminuem a confiança de um filho nesta situação. Construa com seu filho desde pequeno uma relação de amizade e confiança, seja o seu melhor amigo, para quem ele pode correr em qualquer (e qualquer mesmo) situação. E isso não se faz apenas com palavras, mas com atitudes. Pense que ele pode sim ter uma preferência sexual diferente da sua, e isso por si só, para muitos, é difícil de entender e aceitar. É aí que ele precisa de um porto seguro, para onde ele possa correr quando estiver triste e não tiver com quem desabafar e chorar. Onde ele possa receber conselhos de como lidar com desafetos amorosos, traições, brigas. É possível que ele não tenha um amigo ou amiga com quem possa dividir tudo isso. E mesmo que tenha, não há coisa melhor do que poder correr para os braços dos nossos pais quando precisamos, e receber conselhos de quem tem experiência no assunto amor e sexo (ainda que de forma diferente).

É assim que ele irá se tornar uma pessoa mais forte para enfrentar as desavenças que a vida lhe apresentar. E este pai certamente sentirá muito orgulho deste filho, por ter se tornado um homem de verdade, independente da sua sexualidade!

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