O método perspectivista de análise de redes sociais

Cartografias de temporalidades e topologias de redes a partir da combinação de abordagens computacionais, antropológicas e comunicacionais.

Acabo de publicar um trabalho completo que esmiuço as bases teóricas que, aqui no Labic, estamos a estudar para analisar relações em rede. O paper é apresentado na Compós 2016, sob o título Um método perspectivista de análise de redes sociais: cartografando topologias e temporalidades em rede. E pode ser baixado aqui: http://bit.ly/288u6EE.

O trabalho é uma tentativa inicial de emular a teoria dos grafos, a teoria ator-rede e a teoria do perspectivismo ameríndio, num mesmo propósito: identificar as chamadas perspectivas em rede, através da coleta, mineração, modelagem e visualização de dados digitais, apresentando, para isso, os softwares que desenvolvemos para tais etapas metodológicas da ciência de dados (data science).

Há uma passagem do texto que gostaria que os leitores se atentassem. Porque ela é um extrato que demarca os objetivos teórico-metodológicos de toda cartografia baseada na análise perspectivista que fazemos aqui no Labic. A passagem é a seguinte:

Três aspectos desse perspectivismo em rede, emulados do pensamento de Viveiros de Castro, devem ser realçados em toda cartografia baseada na análise perspectivista de rede. O primeiro: os pontos de vistas se apresentam como força conceitual aglutinadora, que é baseada em relações de afinidades, representadas na forma de clusters, que analisados separadamente operam discursos, imagens, laços sociais e discussões internos que dão a substância para o conceito existir e a comunidade prosperar de relações. O segundo: pontos de vistas estão sempre em uma posição (temporal ou espacial), possuem uma topologia que os permite se localizarem numa relação de proximidade ou distanciamento, de antagonismo ou de convergência; de centralidade ou periferia a outras perspectivas em um mapa de relações. E terceiro: pontos de vistas empreendem dinâmicas de poder, que se traduzem em disputa pela hegemonia das narrativas sobre fatos, ideias, marcas e produtos, elegendo seus operadores (perfis) mais influentes, numa tentativa de neutralização ou de sobreposição da perspectiva alheia.

Uma ótima leitura a todos. E, eu, Fabio Malini, espero que o texto possa ajudar a elucidar muitas pesquisas.