Crônica sobre a solidão
Solidão só é bonita em poesia. Na vida real ela machuca, não é noir, não é blasé, não é bonita. Quando você conquista a sua independência você vê seus amigos indo embora, seus pais se despedindo ao longe, você cada dia mais pensando na sua própria inexistência.
Mas, vamos pensar numa coisa: enquanto estamos solitários, por que as cidades continuam tão lotadas? Por que estamos cada vez mais trancados em telas de celulares, em redes sociais que nos isolam dentro de bolhas, dentro de si mesmos, numa claustrofóbica sensação de vazio que permeia a própria existência.
Apenas existimos enquanto desistimos de nós mesmos. Apenas continuamos a ser substantivos sem adjetivos, verbos de ligação, estáticos, sem complementos, sem continuação. Enquanto apreciamos as estrelas das luzes dos edifícios da grande metrópole, a sensação de abandono nos cerca diante da multidão de pessoas que se desconhecem, que não se amam, que não se deixam amar e que, no fundo, sentem-se solitárias.
