O carma por acaso

A alma é transfigurada pela ação

Ocaso, este divino algoz de meus dias

Jamais pode ser tão cruel e tão rude

Quando a minha alma cansada.

Falida de conclusões aterradoras

Triste por cálculos quebrados

Entupida e triste com transições erradas

E a análise da minha vida leva ao divino acaso.


Vivo um imenso Kali Yuga dentro de mim

Uma era de ferro frio que tranca meus sonhos

E entorpeço-me ao som da flauta da dor.

O carma inverte o sentido da minha alma

A minha existência morna esfria ao congelar

De cada palavra não dita e maldita e desdita

Dentro do oceano apático de minhas dúvidas.


O meu destino eu guardo numa garrafa

Onde o grande Suleiman II leva para o exílio

Transformo-me num djin de pura entropia

Que transforma cada cela, cada cadafalso

de todo o meu ser em nada.

Viajo dentro de uma caixa de ópio

Onde meus anéis de fumo derrubam a China

E também sou a pólvora da espingarda

Que machuca a nação oriental.


Passei também como a espada do cruzado

Que enterrou no coração do Cristianismo

A derrota de um ideal não-ideal cuja ideia

Terminou por condenar todo o Cristianismo

E deixar a semente da dúvida no lugar da raiz da razão.


O que me extasia é, sem pensar, o ofício

Triste daquele que comunga miséria

E sofre, dentro da artéria

A maculação maldosa da virtude.


Por isto meu carma precisa se extinguir junto com a minha alma.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.