Corda

Deveria
 ser lhe dito
 que a esquizofrenia
 não consola
 
 Deveria
 ser lhe dito
 não distraia-se
 que levantes apocalípticos
 são bem vindos
 
 Deveria
 poderia
 gostaria
 {mas a covardia impediu}
 o passo à frente
 terrível exclusão consciente
 de tudo aquilo nunca mais ausente
 
 Reluzente plateia
 dissonante da tristeza
 uma nova roupa
 aos mesmos atos violentos
 àqueles que nunca descansam
 àqueles que nunca desandam
 àqueles que nunca ferem
 [aos poucos
 
 Assim sendo
 desígnios malditos das sobras
 o corpo que padece de arremedos
 desanda a sanidade que lhe sobra
 explode algo inenarrável 
 o amor infinito que seria
 única forma de mais valia
 desse maldito mundo
 em campos de extermínio de concreto
 onde corpos se encontram
 derretem-se em seus próprios restos de carne dilacerada
 acolhem-se na perdição do nunca mais
 esquecem-se das promessas da vida
 morrem abraçados com sangue a tomar-lhes os orifícios
 vazios esparsos em um quadrante de corda esquecida
 no sótão
 que aperta-lhe o pescoço enquanto
 lhe quebra os ossos.