dilacerado amor (versão definitiva)

Pois é orgânico amálgama que pulsa 
pensar em ti na primeira sinapse
enquanto o suor lava’lma
a caminhar n’uma sexta feira
assimétrica
vinte e sete passadas por vez
trapézios octaedros na mesa da esquina
corpo a receber voz em tremor
gargalo gelado de garrafa
enquanto espera-se entender quem se é
por fragmentos
seguros depositários do nada
binariedades em cigarros a pensar o amor
na rua
após o desligar do telefone
coração que pulsa minhas todas chances
ao teu lado nesta vida
n’um quase morrer
enquanto no asfalto tudo é vagaroso
navalha procurada sem recompensa
cerâmicas em fio de navalha tormentam se bocas
circulador de ar a refletir uma toalha molhada
voz rasgada pela distância da raiva…

… quando dois escombros se encontram
o único som a ouvir-se é o da destruição
necessário saber se existe amor para salvar-se
uma longa linha de fracassos quebrar-se-ia
não fossem os cortes no peito
a insistência d’alma a sorrir mesmo morta
enquanto escorre o sangue pelas mãos
a mais valia do grito
valeria
se fossem muitos mais
do que nascidos destroços reverberando
através da pele dilacerada
alegria de uma antecipação
felicidade incontrolável do acidente
uma morte anunciada
assim nuvens de nicotina pelas dobras do balcão
ecos do nada a perder
destilando-se em velho copo de bourbon
ressoando pelas bandas 
os restos da sorte clamada em saxofones & A Voz de Tom Waits