Soneto do Pós Apocalipse ou Krias de Kafka (O Mundo não Acaba Nunca)

apaguei todas publicações em redes
[não quero mais
como se a criatividade não pudesse
direcionar

se

à tamanha desavença
sem sentença sem sentido sem mais sem mesmos

apaguei.

mesmo por
[que
com certeiro pesar
parte faço dessa desavença chamada humanidade
a rolar dentro dessa rede roda moinho
eternidade?
vai se passar para limpar
o arder nas faces
da vergonha sentida

sentir
a merda resvalar em suas mãos
é sensação poderosa
a merda modifica

apaguei.

mas o coração verte força
quer acreditar
parado ser estático ele não existe
vai rasgar o silêncio
sempre
não vai desistir

porém Hank,
estrondo é artéria rasgando / se.
o mesmo coração me cora
o roto rosto em vergonha agora
depõe contra mim
depõe contra minha raça
a humana

falhamos como espécie humana
inegável fato / Carrol
outro é que vivemos no mesmo mundo

porém é foda
ver a crença / e / a /
bosta perto
/ e / veja lá

que aos olhos do universo real excremento somos
envergonha a molécula
tão perto assim disso tudo / e / o /
coração corta tua pele com a crença
aquela do quanto mais se fala
mais a ideia se expande

e a cabeça corre
nos jogos de futebol
onde faltas beirando o atropelamento não são mostradas
pois podem disseminar a ideia do pontapé
como se fosse mensagem subliminar às avessas
catarse niilista / explosão.

consome restículos
do querer crer
o destino borrado e caro atormentando o concreto
espumado faringe abaixo todas as manhãs

onde se acorda mais
semimorto do que calado
/ e /
o crer
coloca teu corpo e vivalma em xeque

quando no mesmo dia coloca today your love tomorrow the world

em patamar parelho par com estupro e misoginia

distancia
a humanidade cada vez mais
distribuem secos extremos binários afluentes dentro da veia
ao longo do dia
felicidade instagramatical momentânea instantânea
irracional e amorfa
ímpares bucais pendurados por fios
mas a explosão do espinho só rasgando
a última letra da palavra sim
existe

então vem a catarse /
o coiote
/ e / a / bigorna
um casal ao redor da pista
diazepan bolero cola
coca cuca
corrente galvânica
labaredas no cíngulo
inestimáveis acordes para acordar como um grito

o assaltante no sonho
que atropela a velocidade da luz do poste
cigarros a balbuciar rasgando o peito
sufocando o só
como o desvio lento nas navalhas de jonnhy thunders

lentas seminais
/ e / certeiras
tudo isso apenas em segundos / só
são esses delitos impublicáveis
as coisas estratificadas interiores
abauladas pela pancada em saber que eles existem
/ e / são internas
carne do inexistente verbo

são apenas são
o que já se espera a estrela disse
então a luz / é / a navalha
espere apenas o corte na carne
nessas horas tudo torna / se /
mais escuro em desespero
como tentar o suicídio mais de três vezes /

pois o toque da [ir]realidade
e o infinito do mundo colidem sem amarras
estão por fim descalças em rota única e contrária
correndo em febre
correndo pulsando dentro da cabeça como um trem
correndo nada passa de um ponto dentro dessa linha única 
correndo você não quer sair quer entrar
correndo o estouro chega mais depressa
correndo / novo atônito com a liberdade

[que jamais vira antes
assim o que parece o fim
na verdade é volta
a redenção estampada nas claves
o sangue a escorrer vontade
fúria a fuzilar fantasia dessa realidade sem carnaval

então implosão / que /
muda a direção do peito o coração
que acredita enfim
em paz com a raiva
pode ser saída
pode ser mais confusão
pode ser pulso
ou a vida querendo passagem
Revolução

então não espante se
se durante as canções
existir uma sensação de morte de concepções
[ou pré

é o despertador atômico retumbando
por entre as suas capacidades e incapacidades
é o rasgar a máscara de barro
que recobre as reverberações inertes da sociedade apática que quer suas últimas forças

as últimas gotas de seus genes em castas
opiniões mortas enquanto seguem a fila binária
de ilusões estridentes e circenses sorrisos

sons que marcam a morte do ranço / e / o recomeçar
despertar a vida na mais primal forma
a não conformista
a mais pura forma da explosão
não mais ouvida ao longe
pois o coração teimará
em trazer os acordes cada vez mais próximos de seus ouvidos

ele quer liberdade para bater
[não existe saída a não ser deixa-lo pulsar…