Eu sou da geração ABC. Nasci em 1958, uns anos antes de alguém ter a ideia de começar a batizar as gerações por letras do alfabeto. Começou com a geração X, que identificou o povo que veio logo de pois de mim, nascidos e criados na euforia de 1968, onde tudo o que estava estabelecido estava errado, por definição. As relações de trabalho levaram um tempo pra se acomodar à esta nova geração, porque ela ainda precisava sair das fraldas, ir pra faculdade e ingressar no mercado de trabalho. A geração X começou a implicar com o modelo formal de emprego nos anos 90. O pessoal queria ganhar mais grana, ter mais liberdade e viver um modo de vida diferente do papai e da mamãe. As empresas tiveram de se adaptar a esse novo funcionário “rebelde”. A coisa piorou depois, com a geração Y (ou a turma do milênio, ou a turma da internet). Essa é a galera multimidia, conectados, antenados, globalizados, com mil interesses. E dentro destes interesses não estava exatamente um emprego das 9 às 5 com carteira assinada e chefe ditando ordens. As empresas, mais uma vez, tiveram de se adaptar. O problema de você acabar com o 9 às 5 para um cara que adora ficar 24hs conectado é que o trabalho se torna 24 x 7 onde quer que ele esteja. A geração pediu, ela teve. Agora tem a geração Z, o ser tão interessado em tudo que acaba não sabendo nada. É o povo que está entrando no mercado de trabalho. Entrando? … isso é modo de dizer. Muitos nem querem trabalhar. Acham o conceito de trabalho uma coisa esquisita e dificil de aceitar. Esse é o povo hedonista, que sobrevive no final de semana do produto precário de relações de trabalho que foram tão modificadas que deixaram de existir. O emprego formal foi rejeitado, ele vem sumindo e sumirá de vez em poucas décadas, fazendo a estatística do desemprego chegar a 100% pela primeira vez. Todo mundo será empresário de si mesmo. E aí surgirá de novo a geração ABC, aquela que dará tudo por um pouco de estabilidade e previsibilidade na vida. Infelizmente não existirão mais mega corporações para se adaptar a essa geração ABC.