Keynesianismo — O inimigo oculto na crise

artigo publicado em 19 de abril de 2016

Impeachment, mudanças, novo pacto de união nacional, nada disso funcionará se não mudarmos a nossa filosofia keynesiana na matriz econômica. John Maynard Keynes, fundamentou na década de 30 uma macroeconomia baseada na intervenção estatal; nas décadas de 50 e 60 ganhou imensa popularidade entre governos ocidentais e na década de 70 era praticamente hegemônico sendo utilizado como remédio para conter crises pontuais.

Todas as ações contavam com forte protagonismo dos governos nos mercados e na economia e pode até ser avaliado como estratégia vitoriosa no contexto da época, mas hoje são seus contestadores liberais e libertários que parecem ter uma certa razão sobre os riscos que o keynesianismo representa.

Milton Friedman já apontava com o exemplo do lápis como o mercado aberto e internacionalizado era na verdade a solução eficaz na precificação que garante o acesso ao mercado consumidor, basicamente, não fosse uma cooperação internacional de serviços e a livre concorrência não teríamos acesso a algo que consideramos corriqueiro; o lápis. Tudo isso só foi e é possível mais pela necessidade intrínseca do produto do que pela vontade de monopolizar ou regulamentar o setor, afinal estamos falando de educação, certo?

E aqui no Brasil?

O que temos no Brasil é um triste cenário de regulação em praticamente todos os setores, essencialmente nas telecomunicações, no setor de construção civil, nas instituições financeiras, mas também nas companhias de exportação de commodities. É um pavor mercadológico, ou um paraíso fiscal para o governo e não para o contribuinte. Em alguns casos como no setor da construção civil, principal alvo da lava-jato, chegou-se a intervir nas negociações de 6 grandes empresas no já conhecido esquema de propinas. Seis! Mais ou menos o número máximo de marcas possíveis de serem lembradas por um consumidor em qualquer segmento, é portanto um descalabro keynesiano dos sonhos!

São esses valores inversos e hostis ao livre mercado que de bastão em bastão são passados de Armínio Fraga ao atual ministro Barbosa, tendo como referência máxima o ex-ministro da fazenda Guido Mantega e suas previsões descoladas da realidade das instituições e do mercado financeiro.

Se de fato quisermos mudar o jogo temos que começar a combater o populismo dessa matriz econômica criadora de déficit fiscais absolutamente desnecessários e monopólios de cunho nacionalista. O mercado, os preços e as empresas sem essas intervenções estão prontos para concorrer e favorecer melhores serviços, mas o governo insiste no discurso sustentável, simplista e popular. Dentro dessa lógica arrisco meu próprio discurso: Keynes é Golpe!