Capítulo 3 — A luta pela existência

"A luta pela existência é a consequência inevitável da alta taxa pela qual todos os seres orgânicos tendem a aumentar". — Charles Darwin, A Origem das Espécies


Watt e Ferrus olhavam atentos para fora do navio. Camperine nadou até a praia e começou a se comunicar com gestos com os habitantes da ilha. De longe apenas conseguiam ouvir as risadas altas emitidas desse primeiro contato.

Com um largo sorriso, Camperine se voltou aos companheiros e fez sinal para que eles se aproximassem. Os dois se olharam sem entender o que acontecia, mas aceitaram o convite e foram ao encontro dos nativos.

Apenas risos ou algo mais intenso fazia com que as pessoas verdes emitissem sons, sua comunicação era gestual. Usavam roupas com uma espécie de tecido bem liso, mas não existia um padrão. Alguns usavam uma espécie de bata, outros apenas um camisolão, saias, tudo sem distinção de sexo. Homens e mulheres se diferenciavam apenas pelas feições naturais que conhecemos. Nem mesmo os cortes de cabelos seguiam algum tipo de ordem.

Watt e Ferrus chegaram e Camperine os introduziu:

- Eu não sei o nome deles, mas são bem legais.

- Será que não estão preparando o caldeirão para nos cozinhar? — perguntou Watt

- O que você disse a eles? — quis saber Ferrus

- Fechei os olhos para mostrar estava dormindo e mexi os dedos sobre minha cabeça, como se estivesse sonhando. Depois fiz um gesto como se estivesse cagando enquanto dormia. Eles riram alto e me deram um pano molhado para me limpar. E olha, que paninho bom, hein! Melhor do que o papel higiênico do barco.

Os anfitriões olhavam o diálogo com curiosidade e logo fizeram gestos para leva-los por um caminho que saia da praia. Com fome, os três foram na esperança de encontrar alguma comida ou água.

Quando avançaram pode dentro da mata que cercava a areia descobriram uma cidade cheia de pessoas verdes. Era inacreditável o que viam, pois, ao mesmo tempo que era rural com animais e chão de terra, também era hipermoderno.

As ruas não tinham lojas ou estabelecimentos. Galpões guardavam os mantimentos que eles precisavam e tinham uma TV do lado de fora que repetia imagens geradas do lado de dentro, não por vigilância, mas para informação do que poderia faltar.

No meio disso tudo tinha uma praça com um suntuoso chafariz que jorrava petróleo. Aquilo chamou muito a atenção dos três exploradores. Enquanto caminhavam ficava difícil tirar os olhos daquele líquido escuro.

Logo à fonte estava ela: a igreja da praça. Com paredes tortas e uma fila imensa de pessoas verdes querendo entrar, a construção não tinha imagens ou símbolos. Uma cúpula dava ideia do teto acústico que possuía e alguns estranhos vitrais laterais tiravam totalmente a noção religiosa que conhecemos.