A importância de se investir na ABIN e no SISBIN

O Brasil precisa sim de um Serviço Secreto bem estruturado. É de suma importância o investimento contínuo na Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), e por seguinte, no próprio Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN).

A atividade de inteligência compreende uma das ações do Estado de maior importância para a defesa e a segurança do país, e além disso dá suporte para o desenvolvimento da competitividade e da inovação, principalmente quando consideramos o processo da chamada Inteligência Econômica, processo esse tão bem desenvolvido por países como França, Estados Unidos, Alemanha, China e Israel.

Importante destacar que quando falamos em investimentos na ABIN, de uma forma geral focamos nas questões referentes a pessoal, gestão do órgão, tecnologia para inteligência, tecnologia para contraespionagem, vigilância de fronteiras, integração de outros organismos de inteligência, cooperação internacional, instalação de operadores de inteligência no exterior e formação e qualificação do atual e futuro quadro de oficiais e técnicos de inteligência.

Um exemplo de novos tempos para a ABIN, está no trabalho realizado para as Olimpíadas no Rio de Janeiro, a Rio 2016. O balanço foi extremamente positivo, e nos dá um alento de que o futuro da atividade de inteligência, da ABIN e do próprio SISBIN possa ter um novo rumo, diferente dos últimos treze anos.

Abaixo a nota do balanço das atividades da ABIN na Rio 2016. A nota foi distribuída pela assessoria de comunicação da ABIN e também pode ser acessada pelo site www.abin.gov.br

ABIN encerra atuação na Rio 2016 com balanço positivo

A Inteligência finaliza sua participação na Rio 2016 com avaliação positiva, após quase 60 dias de mobilização. Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos foram realizados conforme o cronograma e sem incidentes graves envolvendo a segurança, a logística e a organização.

No Rio de Janeiro/RJ e em Brasília/DF, centros de Inteligência entraram em operação em 25 de julho e atuaram 24 horas por dia em quase todo o período. Antes mesmo de os centros entrarem em funcionamento, a Inteligência atuou na produção das mais de 60 avaliações de riscos das instalações olímpicas e na segurança da Tocha Olímpica.

“Cumprimos nossa missão nos Jogos. A atuação da Inteligência foi fundamental em seu papel de antecipar aos órgãos encarregados da organização e da segurança todas as informações necessárias”, afirma o diretor-geral da ABIN, Janér Tesch.

Números

Mais de 800 profissionais de Inteligência integrantes da ABIN e de outros órgãos do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) atuaram no Rio de Janeiro e nas cidades-sede do futebol olímpico durante a Rio 2016. Apenas no Rio de Janeiro, a força de trabalho foi de 400 profissionais nas Olimpíadas e nas Paralimpíadas.

No período foram produzidos 200 documentos de Inteligência. A maioria, sínteses de Inteligência — documentos com conteúdo tático, voltados a questões de logística e segurança das arenas e das delegações –, e o restante, Relatórios de Inteligência — que contiveram análises de caráter estratégico, para fundamentar decisões políticas.

Avaliações de riscos foram produzidas e atualizadas continuamente ao longo do evento sobre todas as arenas de competição, a Vila dos Atletas e os centros de mídia. No total, foram 43

avaliações produzidas, 12 apenas no período das Paralimpíadas. O trabalho envolveu cerca de 40 servidores antes e durante as competições.

Spotters e Contraterrorismo

A atuação de profissionais de Inteligência como spotters — observadores de Inteligência na competição — também teve papel decisivo na segurança dos Jogos. Os spotters estiveram presentes em todas as 678 sessões esportivas nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Os observadores ingressaram nos estádios como torcedores com o objetivo de testarem os sistemas de segurança, verificarem o funcionamento dos serviços e, principalmente, atentarem para eventuais incidentes na segurança.

O trabalho de Contraterrorismo também recebeu atenção especial da Inteligência. Equipes dedicadas especialmente ao tema no Rio de Janeiro e em Brasília executaram o trabalho de campo e de análise para garantir a segurança contra esse tipo de ameaça.

Cooperação internacional

A cooperação internacional na área de Inteligência foi uma das atividades centrais da ABIN no período. Durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a ABIN coordenou reuniões diárias no Centro de Inteligência de Serviços Estrangeiros, que recebeu mais de 70 representantes de órgãos de Inteligência de outros países para o intercâmbio de informações sobre segurança internacional e contraterrorismo.

Modelo de atuação

Para o coordenador do Centro de Inteligência dos Jogos no Rio de Janeiro, Oficial de Inteligência Saulo Moura, o sucesso do trabalho consolida o modelo de atuação coordenada das áreas de Inteligência, Segurança Pública e Defesa em grandes eventos.

“Esse modelo que se mostrou bem-sucedido é de centros dos três eixos — Inteligência, Segurança e Defesa — em atuação coordenada, em tempo integral. A Inteligência tem, nesse sistema, o papel de abastecer os demais centros com informações atualizadas e oportunas sobre todas as situações relevantes. Informações obtidas e analisadas pela Inteligência — sobre temas como segurança, logística e organização — auxiliam os demais eixos no emprego dos recursos disponíveis”, explica o coordenador.

O trabalho no CIJ também envolveu a atualização, em tempo real, de um painel de Inteligência com informações sobre desdobramentos de temas sob acompanhamento. As informações atualizadas puderam ser acessadas instantaneamente por representantes da Defesa e da Segurança Pública e por gestores de segurança das instalações olímpicas.

Legado

“Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos deixam um legado positivo à Inteligência e à Segurança do Brasil. Inteligência, Defesa e Segurança Pública atuaram de maneira coordenada na realização dos Jogos e a integração foi fundamental para que alcançássemos esse nível de segurança.

Tivemos um planejamento eficiente e todos os ajustes e atribuições foram definidos com antecipação, em especial no enfrentamento ao terrorismo. Foi o trabalho coordenado, com a participação da Inteligência, que permitiu que tivéssemos esse sucesso: nenhum incidente grave na segurança dos Jogos e nenhuma competição cancelada ou adiada por problemas na organização ou na segurança.

Temos como principal legado um modelo de atuação, iniciado com o Pan 2007 e encerrado nas Paralimpíadas, bem estruturado, com profissionais de Inteligência mais experientes no gerenciamento da segurança de grandes eventos, em condições de serem colocados em operação em outras situações complexas, como visitas de chefes de Estado e reuniões multilaterais”, avalia o diretor-geral da ABIN, Janér Tesch.

Centros em operação:

Centro de Inteligência dos Jogos (CIJ) — Rio de Janeiro
Centro de Inteligência de Serviços Estrangeiros (CISE) — RJ Centro de Inteligência Nacional (CIN) — Brasília
Centros de Inteligência Regionais em Manaus/AM, São Paulo/SP, Belo Horizonte/MG, Salvador/BA e Brasília/DF

Funcionamento:

24/7
25 de julho a 23 de agosto
5 a 20 de setembro

Produtos e Serviços:

Documentos de Inteligência — sínteses e relatórios
 Atualização do Painel de Inteligência
 Spotters
 Avaliação de Riscos
 Atuação operacional
 Contraterrorismo

Profissionais de Inteligência:

Mais de 800 atuaram na Rio 2016

Documentos de Inteligência:

200 documentos produzidos no CIJ (sínteses e relatórios)

Spotters:

678 sessões esportivas acompanhadas
(371 nas Olimpíadas e 307 nas Paralimpíadas)

Cooperação Internacional:

Mais de 70 representantes de serviços de Inteligência estrangeiros participaram do CISE, nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos

Avaliações de Riscos:

40 documentos produzidos durante as competições
 (mais 63 relatórios preparatórios)