Educação: a única esperança que não morreu — Por Fábio Pereira Ribeiro

Há um ano atrás um desafio tomava corpo e realidade. Depois de aceitar o convite de um grande amigo que assumia a Secretaria de Educação de São Vicente no litoral sul do Estado de São Paulo, pude perceber que a Educação no Brasil somente se transformará se atuarmos de fato na base.

Meu grande amigo, o Professor de Direito Constitucional e atual Diretor da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, Felipe Chiarello de Souza Pinto, recebeu o convite para ser Secretário de Educação de São Vicente, e ao mesmo tempo me convidou para o desafio de realmente ajudar a transformar o país pela Educação. Foram nove meses de trabalho duro, com muitas dificuldades, barreiras, dúvidas, problemas orçamentários, salários atrasados, insatisfação, problemas políticos e até ameaças. Mas nossos ideais não nos deixavam esmoecer. Conseguimos fazer muitas coisas, e há um ano atrás conseguimos aprovar o Estatuto dos Professores, uma verdadeira conquista em defesa do profissional que realmente ainda faz acontecer neste Brasil! O professor é a peça chave para transformar o Brasil através da Educação.

Deixamos algum tempo depois a Secretaria de Educação, tristes, mas com a certeza que naquele curto espaço de tempo fizemos coisas que de alguma forma aquela cidade poderia ter uma visão mais segura sobre a Educação.

De uma forma geral, percebemos que o Brasil precisa concentrar seus esforços estratégicos na Educação, principalmente na base, na educação infantil e fundamental. Vivemos em uma crise, tenho certeza e esperança de que a mesma passará, mas ainda não tenho certeza de que a Educação é vontade estratégica dos políticos, quiçá da própria sociedade. Vejo que a sociedade ainda está viciada no ufanismo brasileiro, onde uma abertura de jogos ou uma medalha conseguem apagar a tragédia do presente. E em tempos de eleições municipais, todos os candidatos têm as melhores soluções para a Educação e para o Brasil. Do jeito que se apresentam, todos parecem doutores formados em Harvard, e em Educação. Mas sabemos que não passam de aproveitadores que nem imaginam o quanto a Educação de fato pode transformar uma cidade e uma sociedade. Lembro de um caso onde um político afirmava que tinha tanta experiência com a Educação que o mesmo vivia no "antro da educação". Coisas do Brasil.

Temos a obrigação de cobrar dos candidatos e políticos para que a Educação seja uma prioridade, principalmente nas eleições municipais. Imagina o que acontece nas mais de 5.000 cidades espalhadas pelo Brasil? Como os professores são tratados? Qual a infraestrutura? Quais os programas que realmente desenvolvem as crianças para um futuro transformador?

Durante nove meses pude compreender muito bem a realidade de uma cidade com mais de 300.000 habitantes e com sérios problemas sociais e econômicos, além de uma estrutura política caótica. E tinha mais do que certeza, de que a Educação era a única coisa que realmente poderia transformar aquela cidade. Assim, quando pensarmos em votar, devemos de fato entender como a Educação será desenvolvida, ou correremos o risco de vivermos em "antros da educação e da política", e no fim, tudo desaguará na violência.

Só para lembrar, o Brasil, além das poucas medalhas, está nas últimas posições nos rankings internacionais de Educação, Inovação e Competitividade (ONU, OCDE), e ao mesmo tempo tem 16 cidades entre as 50 cidades mais violentas do mundo.

Você ainda tem esperança?

Eu tenho, principalmente por ter trabalhado com pessoas transformadoras lá na Secretaria de Educação de São Vicente. Muitas ainda estão lá batalhando por uma cidade melhor, e principalmente por um Brasil livre de violência e que de fato seja um país do futuro.