Meu primo Zé… saudades e amor… — Por Fábio Pereira Ribeiro

Todo mundo têm primos, muitos, ou poucos, mas todo mundo têm, mas, você sempre tem aquele primo que você não esquece, uma mistura de amor, loucuras, cumplicidades, ensinamentos, e até mesmo companherismo ao máximo! Entre primos e primas, todos estão lá para criarem algum tipo de conexão além dos seus irmãos. Todos somos primos e primas!

Tenho muitos primos, acho que hoje extrapolam as centenas, Vó Luzia era fantástica, tanto amor, um Mobral para ler a Bíblia, e uma família que começou lá em Ribeirão Bonito, um pouco em Araraquara, outro pouco em São Carlos, depois no Tatuapé em São Paulo e o desembarque final na Vila Progresso, Zona Leste de Sampa. E assim a família se fez, e se faz, uma família de mistura espanhola, outra italiana, uma pitada portuguesa, outra nordestina, outra, acho que de Shangrilá, mas de verdade, uma verdadeira família paulistana, aquela mesma que combina e adora dois pastel com um chopes.

E lá estávamos nós, todos os primos. Lembro das ruas de terra da Vila Progresso, para alguns ainda Parada XV, ou para alguns onde o "tinhoso" mandava procurador. Lá nós jogávamos as bolinhas de gude na manhã, e a tarde a bola, ou o taco, ou até mesmo a pipa nas férias. Mas também logo cedo, Vó Luzia mandava carpir a frente da casa, como também a rua inteira. Eu ainda reclamava, e a Vó Luzia já avisava que ainda tinha mais, bom, com a Vó Luzia eu aprendi uma coisa, carpir não faz mal a ninguém. Em tempos de Facebook, ainda sinto saudades da enxada da Vó Luzia.

Lembro um tempo, aquele tempo que não volta nunca mais como diria Thaíde, onde todos os dias meu primo Zé passava lá na casa da Vó Luzia para me chamar, lá pelas seis da manhã, de vez em quando às sete. Era para trabalhar, sem frescura e mimimi ideológico, simplesmente pela vontade de fazer algo, acordar e fazer algo diferente, mesmo que fosse para trabalhar, o que de fato para o Zé era fundamental, mas para mim, um moleque, ainda não tinha muito significado, somente por entender que de fato a enxada da Vó Luzia já cobrava mais cedo o que fui aprender depois no Senai e na Infantaria do Exército Brasileiro.

As ruas da Vila Progresso, aquelas mesmas ruas de chão batido, de terra, de poeira, que de vez em quando encontrava algum percurso asfaltado, o que nos dava motivo para correr um pouco mais antes que o circular Praça da Sé — Vila Progresso pudesse nos atropelar. E era assim que o dia começava, principalmente em conversar com o Zé, o irmão gêmeo da minha querida prima Sônia, a mesma que também ajudou minha mãe a cuidar de mim, pobres, mas ricos em amor.

Com o meu primo Zé eu aprendi a trabalhar, a dar risada, a sentir companheirismo, a sentir carinho e entender o que é de fato uma família, e principalmente a sentir que quando estamos muitos mundos distantes, o coração está mais do que conectado.

Eu aprendi com o meu primo Zé, o mesmo que me fez aprender desde criança que a vida é tão singela como o carpir da Vó Luzia, que o trabalho não afeta ninguém, não arranca pedaço, mas ele te orienta. Todos nós temos desvios, erramos, renegamos, mas retornamos, isto mesmo, retornamos para o que de fato somos, humanos, e até amamos. O que de fato interessa, amar, assim, este meu texto é em homenagem ao meu primo Zé, Galhardi, o meu Primo Zé, o cara que merece meu respeito eterno, meu amor, e principalmente em mostrar a muitos brasileiros que vale a pena ser o que de fato é, pois com certeza, você transforma a vida de alguém, pelo menos o meu Primo Zé, ajudou a transformar a minha! PAX ET BONUM para meu Primo Zé! DEUS está contigo! Eu também! Principalmente em saber que o meu querido Primo Zé, está bem demais!

P.S.: Saudades dos meus primos e primas, até mesmo daqueles que não conheço.

Vovó e Vovô…..