O futuro mais do que certo da ABIN — Por Fábio Pereira Ribeiro

Durante mais de vinte anos escrevi sobre a atividade de inteligência de Estado e Estratégica, além da sua protagonista principal, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), e nos últimos treze anos, além de defender a ABIN dos desmandos de Estado e de Governos, agora eu sinto, de verdade, um alento para o futuro da agência.

Na última quarta-feira, dia 15 de fevereiro de 2017, fui recebido pela Direção Geral da ABIN em sua sede em Brasília. No encontro, que por sinal fui muito bem recebido, o Diretor Adjunto, Frank Márcio de Oliveira e sua equipe, me proporcionaram um verdadeiro resgate da atividade de inteligência para o futuro das questões de segurança, defesa, integridade, economia e competitividade do Brasil, sejam nas questões internas como também na área internacional.

No Centro Nacional de Inteligência — Sede ABIN — Brasília — DF.

Também tive a oportunidade de conhecer o Centro Nacional de Inteligência que congrega toda produção de inteligência nacional e do exterior para o pleno desenvolvimento da atividade no país.

No encontro tivemos a oportunidade de discutirmos um pouco do passado do órgão, que infelizmente nasceu com a imagem desgastada em função da do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI), além de outros problemas de ordem legal que atrapalharam toda legitimidade constitucional da atividade de inteligência no Brasil. Mas a visita teve como principal característica discutir o futuro da agência, e aí sim, fiquei muito feliz em ver que nossos Oficiais e Técnicos de inteligência ganharam um novo folego e energia para que a atividade seja exercida em sua plenitude.

Nos últimos treze anos a ABIN ficou relegada a produzir relatórios de inteligência sem amplitude de suas ações, como também ter seu espaço reduzido nas melhores atribuições junto à Presidência da República, principalmente no caso da ex-Presidente Dilma Rousseff, que de alguma forma tinha uma verdadeira ojeriza à atividade. Sem contar as “palhaçadas diplomáticas” que a Presidente e alguns políticos partidários protagonizaram com o caso da espionagem internacional pelos Estados Unidos através da NSA, além de outros países. Um verdadeiro descaso, como se não conhecessem o verdadeiro jogo da política internacional e da própria espionagem, lamentável e piegas demais.

Mas no Governo do Presidente Michael Temer a coisa mudou de figura. O que assistíamos no passado em relação à atividade e também em relação à ABIN, parece de fato coisa do passado. Hoje a agência tem um novo protagonismo junto à Presidência da República, com reuniões periódicas e ativa participação nos temas mais estratégicos do Estado e da Nação, sem contar que a agência de uma vez por todas ampliou sua participação no exterior, e o melhor, com apoio estratégico do Itamaraty, o que também no passado era muito difícil. Outra questão importante, o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) está funcionando em pleno vapor, e com a verdadeira integração dos diversos órgãos de inteligência, sejam eles de Estado, policiais e das Forças Armadas. Inclusive na minha visita pude perceber os diversos parceiros da agência em plena atividade no órgão.

Mas ainda existem alguns desafios, ampliar o orçamento, reforçar o quadro de Oficiais e Técnicos de inteligência através de um novo concurso, e também a continuidade de novos postos de adidos de inteligência no exterior. Mas são desafios que na visão do Diretor Adjunto serão transpostos com facilidade e naturalidade.

No mesmo dia tive a oportunidade de visitar o Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, o General de Exército Sergio Westphalen Etchegoyen. Também fiquei animado com a conversa. O General Etchegoyen dá um grande salto para atividade de inteligência, além de grande apoio à ABIN. O General foi categórico em afirmar que encontrou um corpo de profissionais do maior e melhor gabarito, além de um órgão bem consciente de suas atribuições e atividades. Percebo que o General está bem consciente e motivado com o trabalho da ABIN, e por isso ele atua ativamente para que a agência exerça o seu papel estratégico em defesa do Brasil.

Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General de Exército Sergio Westphalen Etchegoyen

E para complementar, a Agência também tomará um novo rumo, principalmente nas ações de inteligência econômica, para que possa ajudar o Brasil nas questões de competitividade nacional, e principalmente, internacional.

Bom, de uma forma geral a ABIN tem um novo rumo, e um futuro mais do que certo, assim, desejo o melhor para a agência e todos os seus profissionais, pois suas atividades são de fundamental importância para o Brasil, diferente do que muitos apregoam ou acham. A época sombria da atividade já entrou para os livros de história, e que ela fique lá, daqui para frente vamos pensar em inteligência e exercer inteligência.