
Este é um texto antigo, na verdade, uma tradução solta do texto de David Foster sobre a depressão e suicídio. Eu não havia publicado antes porque esse assunto, suicídio, é tabu. E também não queria dar a impressão errada que eu mesmo esteja querendo me matar. Enfim, aproveitando o momento da morte de Chester Bennington, segue o texto para que você possa entender a cabeça de um suicida.
"A pessoa denominada psicoticamente deprimida que tenta se matar não faz isso por causa de desespero ou de alguma convicção abstrata de que os débitos e créditos da vida não se quitam. E com certeza o motivo não é a morte se tornar repentinamente algo atraente. A pessoa, cuja agonia invisível chega a um nível insuportável, vai se matar do mesmo jeito que uma pessoa eventualmente se joga pela janela quando encurralada em um prédio em chamas. Não se engane sobre pessoas que pulam de janelas em chamas. O seu terror em cair de grandes alturas é o mesmo que o seu ou o meu se formos parados, por especulação, diante da mesmíssima janela — apenas para apreciar a paisagem. Isto é: o medo da queda é uma constante. A variável, aqui, é o outro terror: o fogo. Quando as chamas se aproximam demais se atirar para morte se torna a opção um pouco menos apavorante entre dois terrores. Não é o anseio pela queda, é o medo das chamas. Ainda assim nenhum pedestre lá embaixo olhando e gritando Não e Força vai entender o pulo. Você tem que estar pessoalmente encurralado e sentir as chamas para realmente entender um terror muito maior que a queda."
