Vai lá e muda de ideia

Ele não sabe, mas amanhã, ao acordar, vai mudar de ideia. Vai se esquecer dos motivos jogados na cara, da rispidez da conversa e do choro ensaiado.

Vai acreditar piamente que tudo foi para o melhor. Para o seu melhor. Por que prestar atenção nos outros, se o que mais vale é como ele próprio vai se sentir? Colocar-se em outro lugar é bobagem. Um risco. E um risco que escolheu não correr. Sábio. Egoísta.

Ele não sabe, mas colocou em jogo não apenas um contrato, mas o contato. Amanhã, ao acordar, vai perceber que esse segundo era o que realmente valia. Ou não. Porque não vale mais. E isso ele ainda vai lembrar.

Vai mudar de ideia, como muda de discurso. Ora é a vítima incompreendida, ora é o vilão grosseiro questionando a insistência do contato.

É. Mudar as ações e o posicionamento traz consequências. Drásticas para uns, normais para outros. Mas é a sequência que importa.

Talvez, ele decida acreditar, por um instante, que tudo é uma grande burrice, da forma mais incompreendida e dolorosa possível. Quanto a isso, ele sabe, amanhã, ao acordar, vai mudar de ideia. Pois é autossuficiente e não tem tempo a perder com compaixão.