Mudar de área aos 40. Pode isso Arnaldo?

Fábio Serrão
Nov 25, 2018 · 4 min read

Acredito que um dos maiores desafios que já enfrentei na minha jornada foi reconhecer que a área profissional que escolhi na adolescência e dediquei anos de estudo e muito trabalho já não me satisfazia, e que era necessário tomar alguma atitude. Demorou pra cair a ficha que o meu maior obstáculo não seria a idade, mas sim meus medos e ansiedades.

Ao terminar o segundo grau, decidi fazer faculdade de Comunicação Social, com ênfase em Rádio e Televisão. O motivo da escolha? Não sabia o que queria fazer da vida, mas era aficcionado por filmes, televisão e música. Ao ler a revista “Guia do Estudante”, que na época era uma das poucas fontes que eu dispunha sobre carreira profissional (O ano era 1997, e a internet naquela época não era nada perto de hoje em dia, que conseguimos achar absolutamente tudo), pesquisei sobre todos os cursos oferecidos e me apaixonei logo de cara pelo curso de Radialismo. Fui fazer, sem sombra de dúvida. Adorei o curso, e mais ainda minha época de estágio. Mergulhei em um mundo de cultura audiovisual totalmente desconhecido para mim até então. Apesar da magia da televisão, é uma área muito concorrida, com pouca vaga no mercado e muito profissional sendo introduzido anualmente pelas faculdades. Assim a realidade me alcançou, com uma insegurança permanente em relação à estabilidade de emprego, salário, dúvidas sobre o futuro, e por aí vai…

Em 2008, quando eu estava trabalhando como coordenador de produção na TV Cultura, rolou um burnout tremendo comigo. Não aguentava mais trabalhar com audiovisual, nada mais me alegrava. Parei para pensar na vida, o que realmente gostaria de fazer, pedi as contas e resolvi fazer faculdade de Sistemas de Informação. Porquê? Na verdade não sei, só queria algo novo, e relacionado à computação. Ao todo estudei um ano, curti muito essa nova fase, muito mesmo. Nesse meio tempo recebi uma proposta de trabalho na TV Record. Precisava pagar as contas, e o trabalho dessa vez era mais relacionado com computação. Bom, nem tanto, mas tinha como função criar workflows de pós-produção de vídeo e gerenciamento dos servidores de edição dos programas da emissora. Apesar da grande responsabilidade e a novidade do trabalho, logo bateu a frustração, algo estava faltando na minha vida. Já estava com 34 anos e acreditava ser impossível mudar de área. Tentei voltar pra faculdade, mas não consegui ficar seis meses, já estava desmotivado e sentia que o fracasso seria inevitável. Ao conversar com amigos e conhecidos sobre minha vontade de mudar de profissão, sempre ouvia o mesmo papo: desencorajamento das mais variadas formas, a idade era algo crucial e que não estava a meu favor, falaram que se eu fizesse isso não teria forças para estudar, que eu me arrependeria, que ninguém contrataria um cara com uma idade tão acima da média, e por aí vai… O mais desmotivador foi ouvir coisas como “Você já escolheu sua vida ao decidir sua faculdade, agora não tem volta” e “O que você está querendo fazer é como trocar o pneu de um carro em movimento. Não dá”.

Quatro anos se passaram, a tristeza e frustração apenas aumentavam, e aos 39 anos de idade, acompanhando minha companheira no evento Python Sudeste 2017 no Rio de Janeiro, conheci a comunidade Python.
Nunca me senti tão bem recebido pela galera, e após esse encontro, virei um frequentador assíduo dos eventos, assistindo a palestras (muitas delas não entendia nada, mas anotava toda palavra para pesquisar depois), workshops e tutoriais. A partir daí, comecei a estudar diariamente por conta, sempre contando com a ajuda e apoio da galera, sempre me incentivando a continuar os estudos e trocar de área.

Passado um ano de intenso estudo e inúmeros eventos, resolvi “virar a chave”, alterando meu currículo e LinkedIn, e comecei a procurar trabalho como desenvolvedor. Três meses e algumas entrevistas depois, consegui meu primeiro emprego como Desenvolvedor Python. Pedi as contas na TV Record, e agora já estou há 9 meses nessa nova vida, amando cada dia que passa!

Continuo participando ativamente na Comunidade Python, organizando eventos e passando conhecimento para todos que tenham interesse, e apoiando qualquer um que, como eu, tenha uma necessidade tremenda de dar uma guinada nessa vida. Os conselhos que posso dar depois de tudo é: Não tenha medo ou vergonha de suas vontades, não desanime, corra atrás de seus sonhos e se cerque de pessoas que te apoiem. Sempre haverá uma comunidade pra te ajudar, basta procurar.

Lembre-se, não será nada fácil, os estudos terão que ser contínuos, as frustações e decepções terão que ser superados. Mas tenha certeza: a recompensa será maravilhosa!!

Fábio Serrão

Written by

Software Developer, in love with Python

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