A crise ajuda a decidir o que deve ou não ficar

Fala-se de crise e sente-se a crise. Comenta-se sobre ela de forma mais recorrente quando ela é sentida no bolso. No entanto é preciso ir além da economia para refletir os efeitos positivos da crise em nós.

Em sua filosofia, Aristóteles diferenciava o que é essência do que é acidente. Podemos chamar de essencial tudo aquilo que, se tirarmos da "coisa", a "coisa" não é mais coisa. Simplificando: se tirarmos a capacidade da panela de cozinhar, ela não é mais panela. No entanto, se tirarmos o cabo da panela, ela continua sendo panela. Ou seja, o cabo é um acidente. Cozinhar é essência.

A crise nos ajuda a descobrir o que é essência ou acidente em nossa vida. Crise vem de crisol, que significa purificação. Em outras palavras, trata-se de decidir o que deve e o que não deve ficar em nosso projeto de vida. Isso vai muito além da esfera econômica. Devo manter certos luxos? Qual o preço de estar atualizado? A que ou quem estou dedicando meu tempo? É necessário dedicar esforço somente ao trabalho? Quais as minhas prioridades? Que lugar a família ocupa em minha organização pessoal? O que eu faço faz diferença? É necessário fugir do caos urbano? Todas são perguntas válidas para passarmos por um processo de maturidade moral e intelectual. É decidir, no curso da vida, o que realmente importa.

A solidão é uma grande amiga nos intervalos em que pensamos mais profundamente no sentido da vida. Assim como a crise, a solidão não deve ser caracterizada como depressão ou coisa do tipo, mas a chance única de ser e fazer melhor para si e para e para os outros. Quando nos resolvemos internamente, a crise realmente se torna verdadeiramente oportunidade. Não seria agora o seu momento de, como Zaratustra*, subir a montanha com a sua serpente e sua águia para enxergar o seu "eu" com os pés no chão e o mundo como um todo de cima? Às vezes é preciso mudar a perspectiva e só você pode escolher o que deve e o que não deve ficar.

*Zaratustra é um "profeta andarilho", personagem de Nietzsche no livro "Assim falava Zaratustra".

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