Por que a Literatura LGBT deve ser denominada Literatura LGBT?

Sobretudo por uma questão de representatividade.
Não é necessário fazer um estudo estatístico para chegar a conclusão de que a imensa maioria dos livros de ficção publicados, seja em papel ou em e-book, são formados por personagens brancos e heteronormativos. Quando aparecem personagens que representam uma diversidade sexual eles e/ou elas são quase sempre caricatos ou estão passando por uma “fase” de descobertas que ao final irá desembocar numa relação heteroafetiva. Exceto por Haruki Murakami, não consigo pensar em nenhum escritor não pertencente a comunidade LGBT que, na atualidade, tenha personagens que representam a diversidade sexual de uma maneira central e natural no enredo de seus livros.
Quando se dá um nome, por exemplo, literatura engajada, literatura infantil, literatura de cordel, se tem uma representatividade muito mais forte do que apenas a palavra literatura. Porém, é importante salientar que representatividade não é um termo excludente, pois como toda literatura, se é de qualidade, deve ser lida por todos.
A literatura LGBT é um mercado editorial em aberto, com cada vez mais leitorxs ansiando por estórias com as quais possam se identificar e se orgulhar. O que é visto, o que é lido, o que é aberto acaba por ser respeitado e incorporado, e com a literatura LGBT não é nem será diferente.
Outra questão importante é a presença esmagadora de escritores do sexo masculino dentro da literatura LGBT no Brasil. Isso quer dizer que os homens LGBT escrevem mais e melhor do as mulheres LGBT? Não, de forma alguma, existem escritoras de altíssima qualidade publicando, ou que publicarão em breve. Então, por que essa disparidade? Esse é um questionamento meu que partilho com vocês.
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