Um dia descobri que sempre li meus livros do jeito errado

Das muitas coisas que admiro na Carla, a menor delas é o seu método de ler livros. Talvez em outra ocasião eu fale sobre como ela sempre usa o adjetivo errado pro lindo nariz que ela insiste em definir “grande”. Mas não hoje. Hoje eu não vou falar de nariz, vou falar de orelhas.

Enquanto post its luminosos viram orelhas coloridas nas páginas, vibra a caneta amarela no parágrafo favorito. À medida que envelhece nas mãos de Carla, torna-se novo o livro. Descansa na cabeceira, repousa no móvel da sala, muda de morada quando muda o humor de Carla. No meu livro, apenas as marcas da troca de bolsas e das curtas viagens de ônibus. Esse livro poderia ser de qualquer pessoa. Menos de Carla.

Sonho em entrar numa papelaria e me sentir de novo a garota deslumbrada da aula de Educação Artística, usar mil recursos para transformar a 23ª edição do livro da Chimamanda Ngozi na fruição única de Fabíola Alves. Mas ainda leio meus livros do jeito errado. Os trechos me marcam e eu não retribuo. Enquanto isso, vou sonhando em ler livros customizados por Carla Castelotti.

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