Perdi a ternura…

Sempre me apontavam. Tu é preto. Como sempre, a ferida se abria, meu corpo buscava responder com orgulho. Mas a alma já estava ferida. Agredida. Brancos machucaram. A sociedade machucou.

Me abracei em livros. Doente. Porém doente pela história que não me contaram. 
Que me esconderam. Que escondendo fatos, disseram ser a verdade. Grande mentira!

Abraçado em livros, me tornei livre. A tal história, descobri. A ancestralidade libertou. 
Meu orixá me guiou. Descobri a sociedade perversa. Que fez de mim, um negro, culpado. Valorizado somente quando carnavalizado. Nos outros dias sentenciado.
Mas vejam esse Brasil! Desorganizado.
Brasilidade no miscigenado? Não. Isso é branqueamento social! E aí vai o recado… Mata!
As amarras nos machucam. Os grilhões limitam. Mas desculpe, Mãe! Eles nos matam.

Só que daqui a pouco estarei com minha arma. Meu canudo. Antes que me prendam, me refiro ao diploma. 
O conhecimento faz eu perder a paciência…
E de resultado perdi a ternura.