Convergente! Divergente! Insurgente!
Fernanda Locatelli
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O que fica evidente nas leituras introdutórias de Cultura da Convergência e Cultura da Conexão é o valor que Jenkins confere ao fluxo comunicacional, à maneira como consumimos as informações de mídia em espaços diversos, à maneira como nos apropriamos dos conteúdos. Fico pensando em como nós, pesquisadores de Comunicação, precisamos nos esforçar para entender tais movimentos. O texto da professora Maria Clara Bittencourt e a explicação que ela nos deu em aula sobre o seu trabalho de Doutoramento reflete esse esforço — que resultou em uma metodologia, por assim dizer, de análise de fenômenos de convergência. Jenkins fala na entrevista — que a Fernanda compartilhou mais abaixo do texto — sobre a velocidade das mudanças no ambiente digital. E, de fato, talvez, assim como ele, tenhamos que nos ater aos casos — com relações conturbadas entre produtor e receptor e com relações motivadoras que tornam o produto dessa convergência algo produtivo e criativo — para entender a complexidade dos fenômenos, para além do deslumbramento com a tecnologia, e aprender alguma coisa com eles. Vocês propõem aqui uma “cultura da reflexão”, e eu concordo com isso. É o caminho para fazer evoluir a comunicação em rede, para fazer com que de fato nos comuniquemos uns com os outros ao invés de entrarmos em embate, de brigarmos para ver quem tem mais poder, quem tem mais voz ou direito sobre determinado conteúdo. Afinal, as mídias estão se comunicando com alguém ou pretendem conversar sozinhas, com elas mesmas?