Como Minha Mãe Me Ensinou a Jogar Conversa Fora Com Estranhos

Jack (Clube da Luta, 1999): “As pessoas que eu conheço em cada voo — “elas são amigos de porção única”. Entre decolagem e a aterrisagem, nós temos nosso tempo juntos, e depois, nunca mais iremos nos ver.”

Eu moro em Curitiba. E mesmo fazendo, quase religiosamente, as mesmas coisas, eu cruzo pessoas diferentes. Vejo pessoas diferentes todos os dias. O barista que me serviu o café. O motorista de Uber. Colegas de trabalho na hora do rush. O caixa do supermercado…Muitas pessoas.

Fundo nos meus pensamentos, lembrando de afazeres, eu encontro e interajo com pessoas de forma irrefletida. Sem dar muita atenção. Às vezes até como um robô. Eu tenho essas frases prontas automatizadas. “Opa, desculpa” “Com licença” “Oi, tudo bom?” “Obrigado, tchau tchau” — cada uma delas tem praticamente sua própria entonação e saem de maneira tao robótica que eu sinto pena de mim mesmo. Está ficando raro para eu fazer amizades espontâneas graças ao meu comportamento inabalável.

Por amizades espontâneas, quero dizer aquelas “amizades de porcão única” que Jack do Clube da Luta descreve tão perfeitamente. Esses estranhos que você conversa por um momento, fazem uma pequena conexão para nunca serem vistos de novo.

Agora deixe eu lhes contar da minha mãe.

Desde que eu nasci minha mãe foi (é) a rainha da amizade espontânea. Minha mae é o tipo de pessoa que vai conversar com a mulher do caixa e saber sua historia da vida inteira. Falar com o vendedor da loja e se tornar amiga dele. Conversar com uma moradora de rua e descobrir seus talentos com desenhos.

Enquanto ela estava descobrindo estranhos eu queria que ela parasse seguíssemos com nossas vidas. Me escutando, ela e eu acabamos perdendo muitas oportunidades. Porque para cada pessoa que ela conheceu e gastou seu tempo batendo papo, uma chance, solução, boa sorte estava escondido ali, esperando para ser encontrado.

Essas conversas descontraídas trouxeram a ela muitos amigos e até resolveram nossos problemas. Como aquela vez em que eu consegui tirar meu passaporte italiano porque minha mãe ficou amiga do simpático senhor da embaixada italiana. Ela fez acontecer, por ser amável e disposta a conhecer alguém.

Às vezes queria que as pessoas pudessem ser mais como ela. Mas depois de refletir, descobri que não é algo impossível.

Para mudar, é necessário adotar certos hábitos. Para isso, precisei me lembrar de alguns pensamentos que me surgiram ao longo do dia. Então aqui estão minhas três práticas para ser mais aberto com pessoas.

Nós estamos todos no mesmo barco

À medida que vivemos, as vezes nos desligamos da realidade para focarmos em nós mesmos — o que fazemos e pensamos. Ou nós sentimos que somos o centro do mundo, como eu faço as vezes, ou nos sentimos um simples ponto no universo. E enquanto caminhamos, fazemos compras, comemos ou encontramos uma pessoa que não conhecemos, podemos ser ser culpados em não estar atento aos outros em nosso redor. Essa pratica me lembra que somos todos companheiros humanos, vivendo no mesmo planeta/ país / bairro, sentindo os mesmos sentimentos, tendo interesses em comum e compartilhando dos mesmos medos…Estamos todos juntos, então também podemos ser amigos e fazer uma conexão com um ser humano- não importa o quão curta ela possa ser.

Hoje vai ser um ÓTIMO dia

Grandes dias acontecem quando as coisas boas acontecem. E ha uma grande chance disso acontecer com/de alguém. Talvez eu encontre uma pessoa que faça meu dia. Talvez eu seja resgatado por um estranho. Talvez eu encontre alguém que mudara meus paradigmas. Talvez eu cruze alguém que me fará sentir orgulhoso. Talvez eu dê de cara com meu futuro chefe antes mesmo de me candidatar a vaga. Não seja aquele cara que comete uma má impressão antes mesmo de conhecer formalmente uma pessoa. Seja gentil e as coisas boas virão.

Oportunidades são criadas por pessoas

Seja em um trabalho, projeto ou qualquer coisa, oportunidades vêm de pessoas que falam umas com as outras. Agora, se isso não te faz querer estar mais presente e consciente delas, não sei o que fará. Todos têm uma historia, um passado, conexões e, para a maioria, o desejo de ajudar um amigo, Então, vá lá e faça um.

Agora, eu sei que nem todas as pessoas são simpatias. Eu mesmo ja tive minha parcela de dias rudes. Mas nessas horas mate eles com simpatia. Seja tão gentil que eles pensem que ha algo de errado com eles mesmos. Seja tão legal que sua energia não te afetará. Seja tão positivo que eles reavaliaram seus pensamentos. Você pode afetar o seu ambiente e as emoções das pessoas ao seu redor, lembre-se disso. Então, da proviam vez que você for buscar o cafe, andar de Uber, ou esperar na fila do banco, não tenha medo de se envolver com um entranho (seja com um sorriso ou palavras aleatórias), seja educado ou ofereça uma ajuda.

Isso irá afetar o dia deles, o seu dia e talvez ainda surja aquela oportunidade, solução ou boa sorte que estava escondida, esperando para ser encontrada.

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